sábado, 5 de novembro de 2011

O Médico e o Missionário


O MÉDICO E O MISSIONÁRIO/ HISTÓRIA DA DIFUSÃO MESSIÂNICA NO ESTADO DO MARANHÃO 

“Como tudo começou”

E tínhamos muitos problemas, buscando a solução desses problemas e conhecendo a Igreja Messiânica Mundial do Brasil. A purificação e cura de nossa filha. Nossa dedicação como membros. As valiosas orientações do Rev. Tetsuo Watanabe. Um encontro e um convite antecipando-nos o futuro. O auge da crise financeira. Dois presentes significativos. O adeus ao Rio de Janeiro. 

Corria o ano de 1965, eu, Laís Tinoco Guarçoni, casada com um médico e mãe de quatro filhos, viviam momentos de grandes dificuldades. Meu marido, formado em Medicina Clínica Geral na Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, no ano de 1946, começava a sofrer uma perda misteriosa de bens materiais, herança de seus pais italianos, que foram grandes fazendeiros em Minas Gerais. Através de negócios mal feitos e da ajuda profissional de pessoas mal intencionadas nas quais confiávamos, perdíamos nossos bens, tais como um grande sítio em Petrópolis, apartamento, etc. 

Além dos problemas financeiros tínhamos sérios problemas de saúde: meu marido sofria de fortes dores de cabeça e de estômago; eu era portadora de uma sinusite crônica agravada por problemas pulmonares e minha terceira filha sofria asma desde os nove meses de idade. Como médico, Elídio recorria a todos os recursos científicos existentes para curar-nos, mas Ângela, principalmente piorava. Nessa época, após especializar-se também em farmacologia, Elídio passou a fabricar pessoalmente alguns dos remédios que nossa filha tomava. Por outro lado, para vê-la curada, além dos tratamentos médicos, cheguei até a lançar mão de todas as “simpatias” e “xaropadas” ensinadas por leigos. Apesar dos nossos esforços, Ângela tinha acessos de asma quase que diariamente, febres altíssimas (ao ponto de delirar), fortes dores de ouvido e um problema de estômago que a levava a vomitar quase tudo que comia. 

Constantemente acometida de crise asmática. Ângela não conseguia dormir. Eu passava as noites em claro, carregando-a no colo ela, ofegantes, com os lábios roxos. Para facilitar minha vida, comprei uma cadeira de balanço assim, eu descansava enquanto Ângela dormia sentada em meu colo. Nessa época, com seis anos de idade, ela era uma criança frágil; chorava sem motivo aparente, não ia á escola quando chovia, não conseguia brincar normalmente, não podia sequer tomar banho sem cuidados especiais. Era uma menina que convivia com um cansaço um chiado característico no peito e um enjôo de estômago que remédio nenhum conseguia resolver. 

Elídio, já nesse tempo, manifestava sua desconfiança acerca de alguns tratamentos, considerando-os duvidosos na solução de certos problemas. E sempre comentava comigo: “Porque eu não consigo curar a mim mesmo e á minha família?” Mas, embora tivesse fortes dívidas quanto a alguns tratamentos indicados pela Medicina, meu marido acreditava que no futuro, haveria de ocorrer um avanço médico-científico que curaria todas as doenças humanas. Nessa época, também persistia em minha mente a lembrança da visão que eu tivera de meu pai, após sua morte, e dos sonhos estranhos que passei a ter com ele. Na visão que tive, após sete dias do seu falecimento, meu pai andava cambaleante, apoiando-se nas paredes do corredor do apartamento, que ficava em frente do quarto onde eu estava ninando minha filha. Essa visão desapareceu logo em seguida, após soar uma voz firme, chamando pelo seu nome como se quisesse despertá-lo. A partir desse dia, passei a sonhar com meu pai e, nesses sonhos, ele se apresentava com a fisionomia tristonha e abatida, como se estivesse muito doente. 

Eu sentia que através desses sonhos meu pai pedia a minha ajuda, pois estava sofrendo, mas eu não sabia como poderia ajudá-lo. Convivendo com tantos problemas, e criada dentro de uma orientação religiosa, tentei buscar em Deus as respostas e soluções para os meus problemas existenciais. Eu e meu marido, juntamente com os filhos, ingressamos na Igreja Batista, freqüentando-a durante dois anos. Ao longo desses anos, estudamos a Bíblia, mas minhas perguntas ficaram sem respostas. Um ano depois, ingressamos no Kardec ismo, onde novamente, não encontrei o que buscava. Devido ás tentativo frustradas, desisti de encontraras respostas que procurava, e calei no coração essa ânsia de conhecimentos. 

Sem encontrar um caminho que resolvesse meus problemas, sentia-me como se estivesse num túnel escuro, sem saída, e onde não havia uma Luz que me guiasse. Parecíamos estar mergulhados num turbilhão que nos tragava, sem nos dar uma chance de sairmos ilesos. Encontrava-me nesse estado d’alma quando , em novembro de 1965, encontrei por acaso, um afilhado de casamento. Fiquei muito contente, pois um mês antes eu estivera na casa de saúde Dr. Eiras para visitar sua esposa, que estava internada com sérios problemas psíquicos. Por ocasião dessa visita, não conseguira permissão médica para vê-la, pois ela estava num quarto isolado, devido á gravidade do seu estado. Perguntei então a meu afilhado como estava passando sua esposa e, para minha surpresa, ele disse que ela já estava em casa, completamente curada. Sabendo tratar-se de um caso muito delicado, indaguei o que havia acontecido para que, num breve espaço de tempo, ela tivesse ficado curada. Ele explicou que não fora na Casa de Saúde que ela havia se curado; fora numa Igreja de Japoneses situada na Rua Santa Luísa, no bairro do Maracanã, que tinha por responsável um Japonês Jovem chamado Professor Ricardo (naquela época o nome do Revmo. Watanabe era Ricardo) Explicou-me, ainda, que esse japonês transmitia uma energia chamada johrei através da palma das mãos. 

Cheia de curiosidade, sentindo renascer aquela velha esperança de ver Ângela curada e de resolver meus problemas, perguntei: “Mas essa igreja é boa mesmo? Isso realmente é verdade? “Fiz-lhe essas perguntas três vezes, ao que ele respondeu: “A senhora vai lá para ver, para conhecer. A senhora vai encontrar lá muitas pessoas nossas conhecidas, que já receberam muitas graças”. Era novembro de 1965, chegando á casa, nesse mesmo dia, comentei o assunto com meu marido, dizendo-lhe da minha vontade de levar Ângela para receber “o tal do johrei”. Elídio, muito desconfiado, disse: “Laís, você acredita nessas coisas? Toma cuidado, japonês tem olho pequeno, mas enxerga longe”. Como eu não queria fazer as coisas contra sua vontade, nem ás escondido, insistia com ele todos os dias para que concordasse comigo, pois eu queria experimentar. Ele dizia: “Já não chegam essas “xaropadas” e “simpatias” que você faz?” Até que finalmente no dia quatro de dezembro, meu marido concordou que eu levasse Ângela, para receber “o tal do johrei”, dizendo: “Quer saber de uma coisa? A filha também é sua, por isso, se quiser, pode levá-la. Vai lá experimentar”. No dia seguinte, cinco de dezembro de 1965, acompanhada de Ângela, eu chegava ás portas da Igreja Messiânica Mundial do Brasil. 

Na ocasião, a difusão começava no Rio de Janeiro, numa casa simples e pequena. Além do altar e das poucas cadeiras onde os membros se sentavam para ministrar johrei, não havia quase móveis. Recordo-me de que nesse dia fazia um calor intenso, pois era verão, e o relógio marcava meio-dia. A fila, na calçada dobrava a esquina do quarteirão e, devido á espera, que era longa, muitas pessoas alugavam caixotes numa mercearia ao lado da Casa de Johrei, para esperarem sentados. Entrei na fila com Ângela, que, passado algum tempo, começou a reclamar do calor e a se dizer cansada. Então, aluguei um caixote para ela se sentar. Aguardamos na fila durante horas, pois naquele tempo havia poucos membros. Enquanto esperava a nossa vez, ia conversando com as pessoas, querendo saber maiores detalhes sobre o johrei. Algumas diziam que estavam melhorando, outras já haviam alcançado grandes graças, e essas palavras me animavam ainda mais. 

Quando chegamos á casa ás 19 horas, Elídio perguntou-me: “Como foi lá? Como é esse Johrei?” Então, contei-lhe tudo com detalhes, e ele não me fez mais perguntas. Passei a freqüentar a casa de Johrei diariamente. Desde o primeiro johrei, Ângela não teve mais acessos de asma. As semanas foram passando ema continuava bem, e eu ia tomando conhecimento do que era o johrei e a Igreja Messiânica Mundial através de algumas aulas e conversas com o Prof. Ricardo que, apesar de não falar bem o português nos transmitia confiança. Eu sempre lhe fazia muitas perguntas, e suas respostas eram coerentes e vinham ao encontro de minhas próprias conclusões. Numa de minhas conversas com o Prof. Ricardo, narrei-lhe a visão e os sonhos estranhos que tinha com meu pai. Eu queria saber sua opinião a respeito. Ele orientou-me que fizesse cultos para meu pai, e principalmente, através da minha dedicação á Obra Divina, salvasse o maior número de pessoas possível. Comecei a colocar em prática sua orientação e os sonhos cessaram. 

Durante esse tempo insistia com meu marido para que ele também fosse receber johrei, pois tinha sérios problemas de saúde, e , talvez, conseguíssemos resolver nossos problemas financeiros. Mas ele sempre adiava essa visita á casa de Johrei. Creio que meu marido, na época, aguardava um resultado mais concreto da melhora de Ângela. Até que em fevereiro, percebendo que de fato havia ocorrido uma grande melhora, Elídio aceitou meu convite e fomos para a Igreja. Enquanto ele recebia johrei, fiquei observando-o e pedindo a Meishu-Sama: “Por favor, não deixe que ele sinta aquela dor de estômago, senão ele é bem capaz, de se levantar e não voltar mais aqui”. Em determinado momento, percebi que Elídio estava pálido e transpirava muito. Ainda pensei que ele ia acabar se levantando para tomar um comprimido. Mas ele permaneceu sentado até o final do johrei. Quando terminou, veio ao meu encontro, dizendo: “Quase que me levantei para tomar um comprimido, mas achei que seria uma indelicadeza da minha parte. 

Então, a dor passou “... A partir desse dia, Elídio passou a freqüentar a Casa de Johrei. Algumas vezes, como médico, acompanhou o Prof. Ricardo em visita a pessoas em purificação. Nessas ocasiões, os dois conversavam muito... Meu marido dava sua versão científica do caso e o tratamento indicado pela Medicina; o Prof. Ricardo explicava o que Meishu-Sama dizia e como, através do johrei e da purificação poderia se alcançar a cura para determinado problema. Assim meu marido teve muitas de suas dúvidas esclarecidas naquelas conversas informais. E foi através de sua melhora pessoal e familiar, como também do aprofundamento na filosofia de Meishu-Sama, que Elídio percebeu que aquele era o caminho que, como médico e homem, deveriam trilhar para alcançar seu objetivo maior: curar os homens. Em marco de 1966, em face da melhora de Ângela e movida por uma grande gratidão, resolvi tornar-me membro da igreja. Eu queria ajudar outras pessoas como estava sendo ajudada. 

Fui á presença do Prof. Ricardo e falei-lhe do meu desejo. Na ocasião, ele perguntou-me como Ângela estava passando. Eu respondi: ”Desde, o primeiro johrei, ela não teve mais acessos de asma”. Foi quando, para minha surpresa, o Prof. Ricardo disse que minha filha não estava curada; que ela ainda teria duas ou três crises, pois precisava eliminar as toxinas acumuladas durante todos aqueles anos. Apesar de suas palavras, não desisti de ingressar na igreja, pois já entendia parte dos Ensinamentos de Meishu-Sama e dentro de mim já existia, realmente, confiança no johrei. Na época, Elídio também manifestou o desejo de se tornar membro, mas o Prof. Ricardo achou melhor que eu fosse outorgada primeira e ele ficasse para o mês seguinte. No dia 23 de abril de 1966, recebi o Ohikari e passei a dedicar ativamente como membro. 

Dias depois, aproximadamente 28 de abril, como previsto Prof. Ricardo Ângela teve uma crise asmática sem precedentes no seu caso. Ficou quinze dias acamada, com febre altíssima, sentindo muita falta de ar, tossindo e vomitando muito catarro, sem comer nada, só bebendo água. Eu passava os dias e as noites ao seu lado ministrando-lhe johrei. Como ela não melhorava, fui á Casa de Johrei pedir assistência ao Prof. Ricardo. Após ouvir meu relato sobre a purificação de Ângela, ele desculpou-se dizendo que estava muito ocupado e não poderia ir a minha casa; que eu continuasse a ministrar-lhe johrei. Fiquei muito revoltada com essa atitude e até pensei em não voltar mais á igreja. Apesar disso continuei a ministrar johrei em minha filha, e nada comentei com meu marido. Os dias passavam e nada de Ângela melhorar. Preocupada, voltei á Casa de Johrei e, de propósito, fiquei na porta da nave com a intenção de que, ao sair do culto, o Prof. Ricardo esbarrasse em mim e tivesse que perguntar por Ângela. Assim aconteceu... Ao sair da nave, ele parou e perguntou como ela estava passando. Eu respondi: “Está muito mal”. E ele disse: “Continue ministrando johrei nela” Sai da Casa de Johrei mais revoltada ainda, pensando que no momento em que eu mais precisava, ele não me ajudava. Não obstante, continuei a ministrar johrei em Ângela e novamente, nada comentei com Elídio. Durante a purificação de nossa filha, muito preocupada, observava a conduta de meu marido, mas ele mantinha-se tranqüilo, sem sequer mencionar a possibilidade de medicá-la. Percebo agora que, na época ele observava discretamente o desenrolar daquele processo de purificação. Para Elídio, o desfecho desse processo era a prova de cura do johrei e da veracidade das afirmativas de Meishu-Sama. 

Quinze dias depois de iniciada a purificação, minha filha disse: “Mamãe eu ainda não fiquei boa porque tenho uma farinha no estômago que preciso vomitar. É uma coisa verde, parecida com um pirão”. Eu pensei: “Como ela pode ter alguma coisa no estômago se está vomitando há quinze dias e só bebe água?” Nesse mesmo dia, horas depois, Ângela me chamou, pois estava com vontade de vomitar. E vomitou uma pasta grossa como uma clara de ovo, verde-musgo, sem odor, bastante estranha que se alojou no fundo do urinol, tomando seu formato. Imediatamente, minha filha disse: “Era isso que eu tinha que vomitar. Agora eu já estou boa. Quero comer”. Tendo ela vomitado durante quinze dias, pensei em dar-lhe algo bem leve, como um mingau ou uma maçã ralada. Mas, quando lhe perguntei o que queria Ângela disse que estava com vontade de comer salsicha frita com arroz. Fiquei preocupada e cheguei a pensar: “Ela não morre mais da asma, mas vai morrer da salsicha”. Corri á Casa de Johrei para pedir orientação ao Prof. Ricardo. Após contar-lhe todos os detalhes da purificação, ele me disse que eu podia dar quantas latas de salsicha Ângela quisesse, pois agora ela estava curada e nada que comesse lhe faria mal. Explicou que aquela coisa estranha que ela havia vomitado, eram as toxinas acumuladas no estômago, os remédios que havia tomado por causa da asma. A química dos remédios era que azedava os alimentos, causando-lhe enjôo seguido de vômito. 

Após essas explicações, saí da Casa de Johrei e comprei duas latas de salsichas. Chegando á casa, dei a minha filha o conteúdo de uma lata acompanhado de arroz. Ela comeu tudo e pediu mais. Dei-lhe a segunda lata, que ela também comeu toda. Desde então, nunca mais teve acessos de asma, problemas de estômago, dores de ouvido, febre alta, etc. Tornou-se uma criança saudável. No dia seguinte ao término daquela purificação, fui á Casa de Johrei com espírito de euforia; eu tinha vencido uma barreira! Estava me sentindo vitoriosa! Em conversa com o Prof. Ricardo, relatei a ele minha alegria. Então, ele disse: ”Não fui a sua casa de propósito. Se eu fosse, a senhora ia achar que foi o meu johrei que resolveu o problema. Agora a senhora tem verdadeira convicção no seu johrei”. Ainda mais confiantes, continuamos a dedicar na igreja. Em maio de 1966, Elídio tornou-se membro. Conforme nossos problemas de saúde iam sendo resolvidos, a crise financeira se agravava. Nosso carro foi roubado e encontrado dias depois no Alto da Boa Vista, totalmente desmontado; só havia sua lataria. O valioso relógio de parede que tínhamos em casa caiu no chão espatifando-se por completo. 

O sofá pegou fogo, devido a uma vela acessa que minha filha caçula colocou embaixo dele. Os tapetes caros que tínhamos espalhados pela casa ficaram manchados. E, para completar esse quadro a televisão pegou fogo, ficando sem concerto. Meu marido, nessa época, possuía uma clínica de sociedade com outros colegas, e mais três consultórios, mas misteriosamente, não ganhava além do necessário para nossa sobrevivência. Ele dizia, referindo-se a isso: “Até parece que Deus está controlando a minha vida”. Em conversa com o Prof. Ricardo sobre esse assunto, ele nos orientou. “vocês querem se livrar de suas dívidas? Então façam donativos de gratidão”. Seguimos essa orientação. Recordo que colocávamos de donativo todo o dinheiro que tínhamos inclusive o das passagens de ônibus para voltarmos para casa. Muitas vezes voltamos a pé, após um dia inteiro de dedicação. Ás vezes na hora de dar o donativo, Elídio olhava para mim e perguntava, com a mão dentro do bolso: ”O que você acha? Dou tudo ou não?” E eu dizia: “O homem não mandou colocar tudo? Ele sabe mais do que nós”. 

Então, dávamos todo o dinheiro e íamos a pé para casa. Inúmeras vezes percorremos mais de cinco quilômetros, juntamente com os filhos. Em 15 de junho daquele ano, 1966, fomos a São Paulo assistir ao Culto do Paraíso Terrestre. Era a primeira caravana de membros do Rio de Janeiro á Sede Central! Naquela época, a Sede Central ainda era uma casa de dois andares, com um galpão coberto, ao lado. Após o culto, retornamos de ônibus ao Rio de Janeiro. Os dias se passavam, e nós dedicando intensamente. No dia 30 de julho, minha mãe, levando um tombo, fraturou o fêmur, sendo hospitalizada no Hospital dos Servidores do Estado. Devido sua idade e á gravidade da fratura, ela permaneceu internada durante 22 dias, inclusive necessitando ser operada para implante de uma platina no local da fratura. Enquanto aguardávamos a cirurgia, ministrei-lhe johrei. Finalmente, a cirurgia foi marcada com previsão médica de duas horas de duração. 

Bastante preocupada, eu via as horas passarem e nada de minha mãe voltar para o quarto. Mais tarde, a enfermeira explicou-me que a cirurgia havia demorado mais do que o previsto por que o fêmur já estava quase no lugar certo e que, por isso os médicos tiveram que diminuir a platina, que fora antecipadamente preparada de acordo com as radiografias. Durante os dias que passei no hospital com a minha mãe, procurei ministrar johrei em outras pessoas internadas. Fiz então amizade com uma senhora do quarto vizinho, que estava com uma filha hospitalizada. Certo dia, chegando ao hospital, essa senhora veio ao meu encontro dizendo que a filha tivera alta e que, por esse motivo, estava indo embora. Em agradecimento á minha ajuda e apoio, ela ofereceu-me sua casa, para que eu me hospedasse nela quando fosse de passeio a São Luís, no Maranhão. Na ocasião, pensei: ”Meu Deus, acho que nunca irei a esse lugar. O Maranhão é tão distante! Acho que nunca mais verei essa senhora...” Mas guardei o endereço. 

Nossa purificação financeira se agravou de tal maneira que Elídio perdeu tudo, inclusive sua parte na clínica. Estávamos num beco sem saída e, por isso, ele começou a pensar em sair do Rio de Janeiro para recomeçar sua vida profissional. Mas ir para onde? Em fevereiro de 1967, meu marido foi à clínica recolher objetos pessoais de sua sala. Olhando em torno, ele parou um momento, refletindo, perguntando o que faria de sua vida a partir do instante em que saísse dali. Então, abriu uma gaveta, tirando dela, entre outras coisas, um jornal médico chamado “Pulso”. De repente, seus olhos foram atraídos para uma pequena notícia na última página, a qual dizia: “Maranhão chama, precisando de médicos”. Bastante interessado, Elídio deixou a clínica com o Jornal debaixo do braço e foi, imediatamente, procurar os escritórios do Estado do Maranhão no Rio de Janeiro. Apresentando-se lá, na mesma hora foi contratado para organizar e dirigir um hospital que seria construído na cidade de Colinas, no interior do Maranhão. Recordo que naquela noite, após ele dar a notícia á família, fomos procurar localizar no mapa a cidade de Colinas. 

Meu Deus, como era distante aquela cidade! Ficava quase no finalzinho do mapa, gravada em letras minúsculas. Começamos os preparativos para a viagem. No dia 15 de março, Elídio embarcou com destino a São Luís, capital do Maranhão, para apresentar-se na Secretária de Saúde. Dois meses depois, em nove de junho, meu filho mais velho casou-se com Sônia Regina Exposto. Dias depois, Ângela e meus outros filhos tornaram-se membros da igreja. Enquanto aguardava o dia de minha viagem para Colinas, eu dedicava intensamente, inclusive nas atividades destinadas a angariar fundos para a construção da nova igreja, num terreno adquirido na Rua Itabaiana, n. 74 – no bairro do Grajaú. 

Durante esse período, recebi cartas quinzenalmente. Nessas cartas, meu marido falava-me de sua profunda tristeza por encontrar-se distante da família e da igreja, onde aprendia muito sobre a origem das doenças, o processo de purificação, etc. Ele aproveitava para desabafar sua falta de recursos técnicos para amenizar o sofrimento dos doentes que o procuravam no posto médico. Tinha vontade de oferecer johrei àquelas pessoas, mas acabara de chegar á cidade, portanto, não conhecia ainda o pensamento e os costumes do povo; não podia prever a reação daquelas pessoas ao johrei. Na véspera de nosso embarque para o Maranhão, fui á igreja com meus filhos para nos despedirmos do Prof. Ricardo e demais amigos messiânicos. Ao entrar na nave, percebi que havia dois embrulhos no Altar, mas não atinei para nada. Após o culto das 18 horas, retirando um dos embrulhos do Altar, o Prof. Ricardo disse que aquilo eram duas lembranças para a família. Ao abrir o primeiro embrulho, senti forte emoção, pois era o retrato de Meishu-Sama. Recordo que ele disse; “Este eu faço de presente. A outra lembrança é presente dos membros”. Era o retrato do Altar da nossa igreja da Rua Santa Luísa. No momento fiquei emocionada, mas não pensei que aqueles presentes eram o sinal de que tínhamos uma missão religiosa a cumprir no Maranhão. (continuação no Livro: “O Médico e o Missionário”). 


Autora: Ministra Laís Tinoco Guarçoni



Fonte: Livro/ “O Médico e o Missionário”
(História da Difusão Messiânica no Estado do Maranhão)
(Fundação Mokiti Okada – M.O.A – 2. Edição – Dezembro/1991 – São Paulo/SP.)

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