sábado, 5 de novembro de 2011

Participando da Construção do Solo Sagrado do Japão


PARTICIPANDO DA CONSTRUÇÃO DO SOLO SAGRADO 

ENTREVISTA COM :
YOSHITARO KATSUMATA
Jardineiro – Chefe do Solo Sagrado de Hakone
ISSAO MORIMOTO
Jardineiro – Chefe do Solo Sagrado de Atami



Repórter: A construção dos Solos Sagrados de Hakone e Atami foi desenvolvida sob a orientação direta de Meishu-Sama e com a dedicação dos fiéis oriundos de todo o Japão. Naquela época, o País ainda não estava livre da situação confusa de pós-guerra, e faltavam inúmeros materiais e maquinários para a construção. Ouvi dizer que só foi possível contar com a força humana. Escavar montanhas, aterrar vales, amontoar pedras, transplantar árvores, só se conseguiu realizar essa grande obra, de acordo com a Providência Divina, graças á Fé absoluta que os fiéis depositaram em Meishu-Sama, cujo desejo era construir o protótipo do Paraíso Terrestre, e graças ao intenso espírito de dedicação, não é? 

Vamos aprofundar o nosso conhecimento sobre os acontecimentos daquela época ouvindo os senhores Yoshitaro Katsumata, Jardineiro /Chefe do Shinsen-Kyô de Hakone, e Issao Morimoto, Jardineiro/Chefe do Zuiun-Kyô de Atami,os quais ao lado de Meishu-Sama, encabeçaram o grupo de dedicante durante a construção do Solo Sagrado. 

Em primeiro lugar, indaguemos por menores sobre os cuidados que Meishu-Sama dispensava aos dedicantes e trabalhadores. 


Katsumata: Parece-me que foi em 1948 ou 1949, ano em que se desencadeou o tufão Ion. Com esse acontecimento, a estrada de Miyaguino (Hakone) afundou dois metros, formando-se um rio enorme; dentre os nossos trabalhadores, houve dois ou três que tiveram suas casas arrastadas pela correnteza, e muitos outros sofreram grandes prejuízos, em virtude das inundações. Todos estavam em dificuldades, principalmente por que era uma época precária em alimentos. 


“Isso é muito grave”, disse Meishu-Sama ao saber da situação. Embora ele não tivesse fartura de alimentos, repartiu seu arroz entre os flagelados. Além disso, recebemos bastante ajuda monetária e também outros auxílios que, nos emocionaram a ponto de nos fazer chorar. 


Morimoto: Em Atami aconteceu a mesma coisa. Em virtude do racionamento do arroz, eu estava em dificuldades. Ciente disso, Meishu-Sama repartiu o seu comigo dizendo: ”Quando se trabalha para Deus sentindo fome, o serviço não sai bem feito. Por esse motivo, dê uma porção para cada um”. Houve uma época em que recebíamos arroz todos os dias. Uma vez, Meishu-Sama perguntou: “Vocês conseguiram fazer moti? (Bolo de formato redondo, feito de um arroz especial socado). É uma iguaria que se come por ocasião de certos festejos, especialmente no Ano Novo. “Como o arroz está racionado, só conseguimos fazer uma pequena quantidade”- respondemos. “Então vamos repartir o moti” – disse ele. Depois dessa conversa, muitas vezes recebemos do “moti” colocado entre as oferendas de Ano Novo. Eu também me lembro do que o Sr. Katsumata acabou de dizer. Realmente, naquelas ocasiões, a alegria era tão grande que eu não continha as lágrimas. 



Katsumata: Não partiu de nós a ideia de pedir, nem tampouco me lembro de ter expressado um ar de tristeza. Apenas nos limitamos a responder á pergunta que Meishu-Sama nos fez. Como era uma época ruim, em que havia falta não só de alimentos mas de quase tudo, Meishu-Sama também estava em dificuldades. Mas, sem se importar muito com isso, preocupava-se conosco, em todos os sentidos, coisa que outras pessoas não conseguem fazer. 



Morimoto: É verdade. Mudando de assunto. Foi na época da substituição do velho ien pelo novo. Quando comecei a servir na Igreja, ainda trabalhava por empreitada, em outros lugares. Ao término de um serviço que pegara, o patrão me disse que não era possível me pagar o valor do novo ien então lhe pediu que fizesse o pagamento com base no valor do antigo. Entretanto, com o que recebi não me foi possível pagar ao meu empregado, e tive prejuízo. Por causa desse acontecimento, quando me encontrei com Meishu-Sama, perguntei-lhe como seria o pagamento e ele me respondeu que eu não precisava me preocupar. 



Repórter: Extraordinário! De imediato. Ele pressentiu as preocupações dos trabalhadores e, com essa resposta, tranqüilizou a todos. E o que me diz sobre as orientações a respeito do trabalho? Katsumata: No começo, o encarregado era o Senhor H, mas depois o encargo passou a ser meu. Recebia ordens e fazia o trabalho de acordo com a orientação recebida, sempre pedindo a vistoria de Meishu-Sama. Ás vezes surgia contradições entre o que Meishu-Sama dizia e as ordens dadas pelo senhor H. Então, Meishu-Sama chamava-lhe a atenção com todo o rigor, dizendo: “O senhor está valorizando muito seu sentimento. Que utilidade tem isso na construção do protótipo do Paraíso Terrestre?” Escutei essa repreensão três vezes, mais ou menos. Depois comecei a receber ordens diretamente de Meishu-Sama e não recebi muitas censuras. Acho que eu não era muito desobediente...




AS PALAVRAS DE MEISHU-SAMA SE CONCRETIZAVAM 

Repórter: Obediência em primeiro lugar, não é mesmo, senhor katsumata? Durante a construção do Solo Sagrado de Hakone quais eram os períodos em que Meishu-Sama lhe dava orientações? 


Katsumata: Só durante o verão, por ocasião da sua estadia em Hakone. De junho a setembro mais ou menos. Todos os anos, no dia 30 de setembro ou um. De outubro, ele ia para Atami, para só voltar no ano seguinte. Três a quatro dias antes indicava as tarefas que deveriam ser cumpridas. De acordo com as ordens recebidas, trabalhávamos até junho do ano seguinte. 


Só houve uma vez em que eu ficasse em dúvida. Foi com relação ao tempo previsto para a construção do Lago; mas tudo ocorreu de acordo com o que Meishu-Sama havia dito. 


Repórter: Que Lago? 



Katsumata: O lago que existe ao lado do templo da Luz do Sol. Aí, cavando conforme a ordem de Meishu-Sama encontrou rochas. Ele olhou a composição do terreno e disse: ”Como é difícil cavá-lo, vai demorar um ano para o lago ficar pronto”. Limitou-se a dizer isso e partiu para Atami. Até então, ele sempre dava ordens a cada três dias, depois de vistoriar uma ou duas áreas. Em caso especial, chamava-me ao Solar da Contemplação da Montanha e dava as explicações adequadas. Só no caso do Lago, isso não aconteceu. Fiquei preocupado, pois Meishu-Sama indo para Atami, eu não o encontraria por um bom espaço de tempo. Não sendo muito grande o lago, calculei que não levaria muito tempo para ser concluído e pus-me a pensar no que faria quando ele estivesse terminado. 


Porém, ao começar a cavar o solo, verifiquei que as rochas eram vulcânicas, duras de escavar, o que dificultava muito o trabalho. Portanto, conforme a previsão de Meishu-Sama, trabalhando com afinco, a conclusão do lago levou exatamente um ano. Começamos essa obra no fim de setembro, quando Meishu-Sama, foi para Atami, quando ele retornou a Hakone, em junho do outro ano ainda estávamos enfileirando as pedras. Imediatamente ele mandou que as colocássemos num nível bem mais elevado; além disso, deu-nos instruções pormenorizadas a respeito. O lago ficou pronto justamente quando ele ia regressar para Atami, nesse mesmo ano, o que quer dizer que a construção levou exatamente o tempo previsto. 


Repórter: Em volta daquele lago, há pedras enormes. De onde as trouxeram? 



Katsumata: Trouxemo-las do terreno que está situado abaixo dos Sepulcros Sagrados. Ali havia inúmeras pedras, e nós não sabíamos onde colocá-las. “Traga as edras de lá e utilize-as”, disse Meishu-Sama. E assim foi feito. Somente uma delas a maior e mais alta não veio de lá, mas do local á esquerda do “hall” de entrada do templo da Luz do Sol. Estava numa posição um pouco mais alta do que este, e, de lá dava para pular em cima do telhado do “hall”. Já tinhamos colocado a pedra mais ou menos no lugar predeterminado, quando Meishu-Sama nos instruiu para afastá-la um pouco mais. Como era muito pesada, se não escavássemos fundo não poderíamos movê-la, por isso deu bastante trabalho. Movíamo-la pouco a pouco. 


Morimoto: Ouvi dizer que havia duas pedras enormes numa das obras do Solar da Montanha Divina. 

Katsumata: Sim, as pedras do lago que ali existe. Essas também são grandes. Coloquei-as naquele lugar pensando em harmonizá-las com o lago. Meishu-Sama,olhando o nosso trabalho, instruía-nos sobre a altura em que elas deveriam ficar, ou se seria preciso colocá-las mais para dentro ou mais para fora, fazendo assim , as devidas correções. 


Morimoto: Normalmente, os especialistas fazem um bom trabalho e a maioria das pessoas fica satisfeita. 



Katsumata: Minha intenção, ao colocar aquelas pedras, era que elas sempre parecessem grandes, de qualquer lado que fossem vistas. Assim, não queria modificar sua posição. Entretanto as instruções de Meishu-Sama estavam baseadas apenas no ângulo de visão através do qual as pedras deveriam ser apreciadas, de modo que, num relance de olhos, ele disse: “Faça assim “ 





A FORMA COMO MEISHU-SAMA DAVA VIDA ÁS PEDRAS 



Repórter: No jardim de musgos também há grandes pedras, não é? 



Katsumata: Aquela ali também é bem grande. Está enterrado mais ou menos um metro abaixo da terra. As outras não. Sempre que lidamos com pedras, fazemos tudo para que elas pareçam bem grandes, mas Meishu-Sama pensava de modo diferente. Para ele, o importante, quer se tratasse de pedra grande ou pequena, era utilizá-las de acordo com o lugar apropriado, dando-lhes vida. Assim, certa vez, quando ele mandou que abaixássemos umas pedras, colocamo-las um metro dentro da terra.


Além disso, colocamos uma quase plana em frente ao Templo da Luz do Sol, enterrando-a, também mais ou menos um metro. Isso por que Meishu-Sama, dissera: “Se ela ficar muito alta causará má impressão”. Realmente, depois de colocada, ficou muito melhor da forma como Meishu-Sama falou. 


Repórter: A sua maneira de utilizar as pedras era bem diferente daquela empregada por todos os jardineiros que tinham existido até então, não é? Imagino que, no começo, devem ter ficado perdidos... 



Katsumata: Acho que no primeiro ano sim, mas por mais que um especialista pense e procure fazer o melhor, o que é ruim, não deixa de ser ruim. Como a colocação das pedras ficava melhor quando eu agia conforme a instrução do Mestre considerou que o essencial era ser obediente. Mais tarde, fui compreendendo por que Meishu-Sama dizia para colocar uma pedra de determinado modo. Por isso, hoje em dia, ajo como ele: logo que percebo uma falha, procuro corrigi-la rapidamente. 



Repórter: O Sr. Morimoto, no começo, trabalhava fora, e, ao mesmo tempo, para Meishu-Sama. Depois, passou a trabalhar apenas para Meishu-Sama, isto é, para a Igreja. Penso que, até chegar a esse ponto, ele deve ter passado por várias dificuldades. 



Morimoto: Foi na época em que comecei a trabalhar no Shinsen-kyô de Hakone. Certo dia, recebi um telefonema da sede provisória, situada no bairro de shimizu, em Atami, dizendo para que eu levasse três pés de sassa(uma espécie de bambu) até Hakone. Como pensei que qualquer pessoa pudesse plantá-los, levei um comprido, um médio e um curto. “Aqui estão” – disse eu. Com a intenção de deixá-los ali e voltar logo, fui embora, mas quando acabara de entrar no trem, o Senhor K veio correndo atrás de mim e disse: “Meishu-Sama pediu para que o senhor plantasse os pés de sassa”. 


Então eu respondi que, embora Meishu-Sama tivesse dito que eu deveria voltar e plantá-los, não havia necessidade, pois, naquele tempo ainda estavam lá o irmão mais velho do Sr. Katsumata e cerca de trinta jardineiros. A ele falou: “Não, Meishu-Sama recomendou que você mesmo os plantasse e por isso lhe peço que o faça”.Como eu fora indicado nominalmente pensei que era melhor obedecer, e então voltei. Quando perguntei o lugar em que deveria plantar os pés de sassa, disseram-me que seria atrás do Solar da Montanha Divina, na frente de uma rocha que havia no canto. 

Sem pensar na intenção de Meishu-Sama,ao determinar que eles fossem plantados ali,coloquei o pé de tamanho médio no fundo; em seguida, o mais comprido, e na frente, bem separado, o mais curto. Nesse momento, o Senhor H que estava ao meu lado, perguntou-me: “Por que plantou o mais curto afastado dos outros?” De imediato, eu respondi o que me veio á cabeça: “Tanto a raiz do bambu como a do sassa espalham-se nos lugares bem afastados, e aí nascem os seus brotos. Por isso, calculei que ele tivesse nascido aqui”. Mas acrescentei: “Se Meishu-Sama perguntou por que plantei dessa maneira, responda que o menor foi colocado no lugar onde a raiz se expandiu e nasceu o broto”. 

Dito isso, fui embora. Depois, fiquei meditando por que Meishu-Sama me mandara plantar aqueles bambus, e mais tarde, perguntei ao Senhor K o motivo daquela ordem. Ele respondeu que Meishu-Sama queria saber de que maneira eu plantaria. Então eu lhe disse que, se era esse o motivo, ele poderia tê-lo dito a mim, pois eu também tinha minhas próprias ideias sobre o assunto. Entretanto, segundo ele, Meishu-Sama havia pensado que eu plantaria o pé mais alto no fundo; em seguida, o médio no final o mais curto, e todos separados pela mesma distância. Contudo, ao olhar o modo como eu os plantara, ele disse que o jardineiro trabalhara como se estivesse vivificando flores. 


Repórter: Quer dizer que o senhor foi testado, não é? Meishu-Sama desejava saber se o senhor os plantara como se eles já tivessem sido plantados há muito tempo e crescidos naturalmente e, também até que ponto o senhor via as coisas de forma correta? Ele achou bom do jeito que o senhor plantou? 



Morimoto: Parece que sim. 



Repórter: Ele viu a sua capacidade, não é? 


“Não pude descansar um dia segue” 


Morimoto: Em Atami, depois que o Senhor K foi embora, passei a receber as ordens de serviço diretamente. Assim, pude trabalhar com mais liberdade. Entretanto, embora pensasse em descansar, não podia fazê-lo nem um dia segue. Se descansasse, outra pessoa receberia as ordens no meu lugar. Então, não se entenderia nem se transmitiria o sentimento de Meishu-Sama. Isso, porque as pessoas comuns apenas ouvem e dizem: “Sim, compreendi”. Ora, ouvindo apenas não se entenderia nada do que Meishu-Sama dizia, pois suas palavras eram poucas e ele não dava explicações detalhadas. Era por esse motivo que eu não descansava. Sabia com que pensamento Meishu-Sama dava as ordens e, para entendê-las mais concretamente, pedia-lhe que dessas ordens mais pormenorizadas. Por exemplo: Como eu não soubesse com que altura deveria fazer o monte do Jardim das Ameixeiras, e o terreno fosse um vale cheio de altos e baixos, disse a Meishu-Sama: “Gostaria que esperasse um pouco; vou colocar a demarcação”. Então, coloquei paus em todo o terreno e estiquei uma corda. Procedendo assim, recebi orientação concreta para leinfalivelmente,apareciam coisas que precisavam ser refeitas.



Repórter: Comumente, embora não estejamos satisfeitos, respondemos “sim”, mas é importante insistirmos na pergunta até ficarmos convencidos, como o senhor fazia. Entretanto, isso também exige coragem, não é? 



Morimoto: Como Meishu-Sama, quebrava o senso comum tradicional e construía jardins baseados num novo conceito de beleza, ninguém compreendia nada. Por isso, apenas ouvindo-o e respondendo “sim senhor”, embora não tivéssemos entendido o que ele dizia, não era possível compreender plenamente sua vontade, nem suas palavras. Talvez, Meishu-Sama tinha pensado que eu fosse meio ignorante, mas eu não me importava com o que ele pensasse, e por isso lhe fazia perguntas até entender o que ele queria. Não só na construção do Jardim das Ameixeiras, como também da Colina das Azaléias, a que me referi há pouco, utilizamos caminhões para jogar terra naquele lugar tão amplo, e assim as depressões foram aterradas, mudando muito a topografia do terreno. Era um trabalho realmente árduo no qual eu estava seriamente empenhado. Por isso, quando Meishu-Sama,dava alguma ordem, eu sempre lhe pedia para esperar um pouco, e colocava bambus e esticava cordas. 



Repórter: O Senhor devia ficar muito preocupado quando pedia que Meishu-Sama esperasse, não é? 


Morimoto: De fato. Mas, como eu estava trabalhando com seriedade, mesmo que ele me cobrasse o serviço, perguntando se ainda faltava muito, eu dizia; “Sim senhor ainda falta um pouco”. E, acabando de esticar a corda, pedia para que ele olhasse. Fossem quais fossem as reclamações de Meishu-Sama, dissesse ele o que dissesse, e por mais carrancuda que se mostrasse a sua fisionomia, eu insistia em que ele detalhasse seus planos: “É para fazer desta ou daquela maneira?” Só depois de satisfeito eu agia. 

Repórter: A julgar pelo que o senhor está dizendo, parece-me que, todos os dias, era uma luta séria não? 

Morimoto: Além disso, quando me dava as ordens, Meishu-Sama me fitava bem nos olhos, e por isso eu ficava com medo. Deve ter acontecido o mesmo com o Sr. Katsumata, mas eu trabalhava com o sentimento de que, estando ou não ali, Meishu-Sama sempre me observava. Se eu não trabalhasse com esse sentimento, não teria conseguido realizar aquela obra. Talvez por isso Meishu-Sama colocou-a sob a minha responsabilidade. 

Katsumata: Comigo aconteceu à mesma coisa. Nunca me veio ao pensamento que era desnecessário fazer tal coisa porque Meishu-Sama estava longe, ou que devia fazê-la por que ele estava perto. 

Morimoto: Até a uma pessoa como eu, Meishu-Sama sempre se dirigia assim: “Sr.Morimoto, venha aqui um instante...” Ele dava ordens chamando-me de “senhor”. Entretanto, nunca me disse palavras de elogio pelo que eu houvesse feito. Parece que me elogiava por trás, mas, diretamente, jamais falou que eu me saí bem numa tarefa. Quando ficava pronto um trabalho, como por exemplo, um serviço no Jardim das Ameixeiras eu dizia para Meishu-Sama apenas isto: “Está terminado”. Aí ele respondia: ”Hum.” como se o som saísse de dentro do abdome. Dando uma volta e encontrando uma árvore plantada, acrescentava: “Hum... plantou uma árvore aqui”... ”Sim plantei”, dizia eu. Ao ver outro lugar que já estava pronto, retrucava: “Hum. fez aqui também...” E eu: “Sim, fiz” A conversa se limitava a essas palavras. Nem Meishu-Sama nem eu entrávamos em pormenores. No começo, eu pedia que ele examinasse o trabalho, dizendo: “Fiz de acordo com as suas orientações. O que é que o senhor acha?” Mas logo da primeira vez que eu disse isso, ele me desaprovou: ”Não está bom; faça-o de novo”. Todas as vezes que ele falava assim, eu ficava nervoso, pois achava que havia seguido as ordens recebidas. 

Entretanto, á medida que entendia a vontade de Meishu-Sama, vi que ele agia dessa forma porque eu fazia as coisas sem ter convicção, e concluí que não poderia continuar assim. Era preciso que eu fizesse o trabalho o trabalho com seriedade e firmeza, de acordo com as instruções. Depois de ter compreendido que se o trabalho não estivesse bom, Meishu-Sama o diria limitava-me a falar: “Ficou pronto”. Ele apenas comentava: “Ah! É?” e chacinava o serviço. Portanto, mesmo quando eu plantava uma árvore, era só dizer: “Está plantada”. Não era preciso usar de palavras para saber o que ele achava; ficando calado, Meishu-Sama expressava a sua aprovação. 

Repórter: Aliás, eu acho que nesse tipo de conversa é que vemos a verdadeira postura da Fé. 

Morimoto: Na ocasião em que ia ter início a construção da Colina das Azaléias, abaixo do Palácio de Cristal, recebeu a seguinte instrução: “Construa de maneira que, de todos os lados, ela seja vista com o formato redondo”. Acontece, porém que em cima, haveria um prédio, não é verdade? Sendo assim, tive de fazer um grande sacrifício para deixá-la arredondada, levando mais ou menos um ano para terminá-la. Durante todo o período daquela construção, Meishu-Sama vinha vê-la diariamente e ficava apreciando-a. No dia em que ela ficou pronta, comuniquei-lhe: “Ficou pronta hoje”. Aí ele disse: “Ah! É?” Sozinho, deu uma volta ao redor da Colina e foi embora sem dizer nada. Então eu pensei: “Puxa, isso mostra que o meu trabalho foi aprovado!”. 

Repórter: Em suma, os sentimentos de Meishu-Sama não se expressavam por meio de palavras, mas sentíamos profundamente que ele nos transmitia a sua aprovação. O Mundo Ideal a que Meishu-Sama se referiu, certamente será um mundo em que as pessoas se farão entender através da percepção, empregando o mínimo de palavras. 

A PREOCUPAÇÃO DE MEISHU-SAMA COM A CONSTRUÇÃO DA ESCADARIA EM ZIGUEZAQUE 

Repórter: Qual foi a maior preocupação e o maior cuidado de Meishu-Sama ao construir o Zuiun-Kyô, a Terra Celestial de Atami? 

Morimoto: Meishu-Sama se preocupou com tudo, mas parece-me que principalmente com o corrimão da escadaria em ziguezaque. Ele mesmo o desenhou e ficou muito ansioso até vê-lo pronto. No começo do verão de 1953, se não me engano, quando foi para Hakone, Meishu-Sama deixou instruções para que o corrimão fosse feito com vãos em forma oval. Eu me esforcei para terminá-lo até o Outono, época em que ele retornaria a Atami. Quando Meishu-Sama regressou, veio imediatamente ver a obra e chegou a dizer: “Sr. Morimoto está muito bom”. Com isso, percebi que ele estivera bastante preocupado para ver como ficaria, depois de pronta, aquela escadaria cujo projeto era uma experiência inteiramente nova. 

Katsumata: Meishu-Sama parecia muito preocupado com essa obra, até mesmo quando se encontrava em hakone. 

Morimoto: Ele teve cuidado inclusive no que se refere á altura dos degraus. Antes de determiná-la, fez uma experiência com Nidai-Sama, pois queria que velhas mulheres e crianças pudessem subir a escadaria com facilidade. Graças a Deus, Meishu-Sama 

Acabou adquirindo confiança em mim a ponto de considerar que tudo que eu dizia merecia crédito. Quanto a mim, achei que foi muito bom ter largado o meu serviço externo e empenhar-me somente no da igreja. 

MEISHU-SAMA ALEGRAVA OS FIÉIS COM PLANTAS RARAS 

Repórter: Penso ser difícil encontrar um local que tenha reunido tipos tão raros de cerejeiras como o Zuiun-kyô. O que é que o senhor acha? 

Morimoto: A propósito lembra-me de que, quando vieram ao Solo Sagrado de Atami membros da Associação da Flor, um deles me perguntou: “O senhor sabe de algum outro lugar onde haja mais cerejeiras do tipo “Kanzakura” e “HisaKura” do que aqui?”Respondi-lhe que, para o lado de Izu, talvez houvesse e surgeri que o procurasse. Entretanto, naquele local, só havia um ou dois pés. 

“No Zuiun-Kyô existem mais ou menos quarenta pés de cerejeiras do tipo”Kanzakura”, e outras que floresam cedo, não é?” “Ao ser interpelado, por pessoas de fora, com perguntas semelhantes, pude compreender que o Zuiun-Kyô é realmente um lugar maravilhoso. 

Repórter: Esse é um grande tesouro? 

Morimoto: No começo, havia apenas um pé de cerejeira do tipo “hisakura”, mas agora existem muitos em virtude das mudas obtidas pelo processo de enxerto. Entretanto, eles levaram quatorze ou quinze anos para crescer daquela forma. 

Repórter: Quando iniciamos alguma coisa tudo é difícil, e acredito que o senhor tinha sofrido bastante não é? 

Morimoto: Embora eu fosse jardineiro profissional sofri muito, pois não tinha experiência sobre enxerto e desenvolvimento de cerejeira “hisakura”. Pedi ajuda a um negociante, mas não deu certo, de modo que não teve outro recurso a não ser comprar um livro técnico e estudar o modo de fazer o enxerto. Não tinha muita confiança, mas tentei fazê-lo sozinho e consegui-me sair bem. Depois, fiz o enxerto num terreno do Zuiun-Kyô, a Terra Celestial. Após ter pegado, levei o tronco para minha casa, replantei a cerejeira no meu jardim e cuidei dela. Quando deu flor, trouxe-a para cá. Como ainda era nova, não se comparava aos velhos pés já existentes, mas, com o tempo, acabou ficando maravilhosa. No auge do seu florescimento, não se vêem os galhos; só as flores, bem vermelhas... 

Repórter: Como a cerejeira “Kan-hisakura”não é uma qualidade que se possa encontrar em qualquer parte, deve ter sido difícil trazê-la para cá não? 

Morimoto: Certa vez, a uma pergunta feita por Meishu-Sama respondi: “Acho que essa espécie de cerejeira deve existir em qualquer lugar”. Contudo, procurando-a, não consegui achá-la com facilidade. Fiquei numa situação difícil. Por isso, tanto no que se refere ás azaléias como ás ameixeiras do Jardim das Ameixeiras e ás cerejeiras, não há um pé sequer que tenhamos conseguido sem esforço, como se caísse do céu de repente. Enquanto procurava cuidadosamente as cerejeiras que eram necessárias, por coincidência, escutava uma conversa esclarecedora ou conseguia encontrá-las. Foi uma procura que exigiu muito esforço e na qual tivemos de enfrentar muitas dificuldades. Aliás, se ficarmos esperando de braços cruzados, confiando apenas em Deus, jamais conseguirá receber graças. 

No declive existente entre a Colina das Azaléias e o “Sekuin-Do”, estão plantadas muitas cerejeiras da montanha, não é verdade? Só ali há cem pés, mas foram todas plantadas e penamos bastante para encontrar essa quantidade. Além do mais, só procuramos cerejeiras de boa qualidade... O assunto vai e volta, mas o plano de plantar cerejeiras naquele local já existia desde o tempo de Meishu-Sama e foi concretizado por Nidai-Sama. Quando o terreno inclinado ficou pronto, ela disse que as flores das cerejeiras ”somaram yoshino” desabrocham e caem logo, por isso não tem graça. Acrescentou que a vida dessas árvores é curta e que as flores e as folhas de cerejeiras da montanha têm mais elegância e beleza. Sendo assim, orientou-nos que procurássemos aquelas que fossem belas e que tivessem flores e folhas de colorido harmônico. Existem inúmeras cerejeiras da montanha, mas é muito difícil encontrá-las com flores e folhas de boa cor. Ficou combinado procurá-las nas montanhas e chegamos a escalar uma com esse objetivo. 

Achamos as cerejeiras, mas o dono da montanha, que era o principal, não se sabia quem era. Entretanto, visto que queríamos comprá-las, colocamos um marco no local, amarrando-as com uma corda. Também houve falhas, mas aprendi que com esforço tudo se consegue. 

Repórter: Ouvimos dizer que, como Meishu-Sama tinha o desejo de alegrar todos os fiéis, trazia plantas raras e dizia: “Não imitemos os outros, sejamos originais”. Acho que era por isso que, quando sabia de uma planta rara, decidia comprá-la imediatamente. 

Morimoto: Ele tinha decisões rápidas, não é? Certa vez, comprei um pé de ameixeira branca, de galhos pendentes com mais ou menos cem anos. Embora fosse uma só, achei que era de boa qualidade e perguntei a Meishu-Sama: “Encontrei uma ameixeira branca com mais ou menos cem anos. O que é que o senhor acha?” Ele respondeu com outra pergunta: “Quantos pés”?” “Apenas um” respondi-lhe”. Procure cinco ou seis “pés e compre-os”, disse Ele. Dessa forma, o assunto se prolongou, e ele ordenou que eu fosse procurá-los e mais rápido possível. Feita a compra, comuniquei-lhe o fato, ao que ele respondeu apenas: “ah, é”? Não perguntou nada, nem mesmo o preço. Se lhe falasse, ele ou veria, mas. Tivemos muitas dificuldades no transporte da ameixeira branca de galhos pendentes que está plantada ao lado do Palácio de Cristal. O transporte foi feito á noite, de shimo-sôga, um local fora do perímetro urbano da cidade de Odawara. Utilizamos três carros e mais ou menos trinta pessoas, e demoramos quinze horas para transportá-la. 

REALÇAR AS PECULIARIDADES DA PLANTA 

Repórter: As azaléias plantas na Colina das Azaléias do Zuiun-kyô são de vários tipos; existem aproximadamente quarenta tipos da mesma espécie. São mais de três mil e seiscentos pés, nas cores vermelha branca, rosa, e violeta, colorindo uma colina inteira que, do final de abril ao final de maio, floresce com tal esplendor, que podemos chamá-la de Paraíso das Flores. Mas essa beleza logo termina, dando lugar á estação das azaléias denominadas “satsuki”. A propósito logo nos lembramos das que estão plantadas no shinsen-kyô de hakone. Mas com que objetivo Meishu-Sama plantou essa flor naquele local? 

Katsumata: Todos os anos, no final de maio, Meishu-Sama semudava para o shinsen-kyô de Hakone. Essa é a época do término da floração das azaléias de Atami e o inicio do florescimento das azaléias!satsuki”, em Hakone. Como, aí as flores que florescem cedo e as que florescem tarde estão misturados é possível apreciar flores durante todo mês de junho. Parece, também que as azaléias “Satsuki” se dão muito bem com o ambiente natural de Hakone, caracterizado pelo alto grau de umidade. Acho que foi por esses motivos que Meishu-Sama mandou plantar esse tipo de azaléia no shinsen-kyô. 

Morimoto: Meishu-Sama passava em Hakone o período que ia do fim de maio até o começo de outubro daí até o fim de maio do ano seguinte, cuidava da Obra Divina em Atami. Para que tudo se ajustasse a esse modo, de vida recebíamos ordem de plantar em Hakone todas as plantas que havia em Atami, como as azaléias “satsuki” e o jasmim, que florescem do outono até a primavera do ano seguinte. 

Katsumata: Ao contrário, muitas plantas de Hakone também foram levadas para Atami. 

Repórter: Acredito que Meishu-Sama pensava nas peculiaridades de cada planta. Como Hakone é um local rodeado de montanhas e o seu grau de umidade é elevado ele escolhia plantas adequadas a essas condições ao passo que em Atami que está em frente ao mar e tem um clima temperado, estão plantadas aquelas que se ajustam ás suas condições. 

Morimoto: Realmente, Meishu-Sama só dava orientações a respeito das plantas depois de ter refletido bem sobre as peculiaridades de cada uma. Certa vez, ele me ensinou algo sobre a ameixeira. Em termos de aroma, a flor da ameixeira que dá frutos é mais perfumada; em termos de flor, a ameixeira que só dá flores é mais bela. Apesar da minha profissão, eu conhecia as peculiaridades da árvore, mas ignorava as peculiaridades da flor. No entanto, através do meu serviço no jardim das ameixeiras, pude comprovar que Meishu-Sama conhecia tudo sobre ambas. 

Tendo recebido instruções para encontrar árvores velhas e de flores perfumadas, percorri todo o Estado de Saitama, mas enfrentei muita dificuldade, pois ninguém queria vender ameixeiras que dão frutos. A maior parte foi comprada e transportada do bairro de Shimo-Sôga, um lugar situado fora do perímetro urbano de Odawara. Efetuada a compra, também foi muito trabalhoso o transporte. Não era nada fácil transportar pés de ameixeiras tão grandes como aqueles. Como, naquela época não havia estradas tão largas como hoje, eles danificavam as paredes da casa de uns e quebravam os galhos do jardim de outros, causando muitos problemas ás pessoas que residiam ao longo da estrada. 

Repórter: Além disso, houve problemas relativos ao tempo gasto no transporte, pois era preciso que ele fosse efetuado num curto espaço de tempo, devido á época do plantio, não é verdade? 

Morimoto: De fato. Entretanto, um caminhão grande só dava para transportar um ou dois pés, e para colocá-los dentro do caminhão, necessariamente levavam-se três a quatro horas. A estrada era ruim e estreita e por isso era preciso muito cuidado para não quebrar os galhos das árvores nem incomodar os outros. Transportadas as ameixeiras, tinha-se de abrir os buracos um a um para plantá-las. Assim, desde a compra das árvores até o final da plantação, despendeu-se muito tempo do começo até o fim, foram quatro anos. 

Repórter: Puxa! Foi muito trabalhoso, não? O sacrifício exigido para transportar e plantar os trezentos e sessenta pés de ameixeiras, num determinado espaço de tempo foi incalculável, e só os que o fizeram sabem avaliar. Para realizar um trabalho desse tipo, a hora, ou melhor, a época torna-se muito valiosa, não é ? 

Katsumata: no tipo de serviço que empreendemos o mais importante é a época certa. Se não tivermos isso sempre em mente, os resultados não seram satisfatórios e falharemos. Mesmo que, por acaso, o que foi plantado pegue sempre haverá defeitos. 

Repórter: Certa vez, em Hakone transplantou-se um grande número de enormes cedros, e nenhum secoi; todos eles pegaram. Creio que isso também se deve ao fato de terem sido plantados na época certa, não? 

Katsumata: Aqueles cedros foram transplantados por que houve uma ordem de aplainar a Colina de Luz do Shinsen-Kyô. A fim de preparar o terreno. Normalmente o tempo apropriado para se removerem cedros e ciprestes é em meados de novembro. Quando se trata de árvores muito grandes, a remoção de vê ser iniciada em dezembro e terminada até a fina de março do ano seguinte. Escolhendo a época do inverno, replantamos mais ou menos oitenta pés. Graças a Deus, como a época foi apropriada, até as árvores grandes pegaram. 

Há vinte anos, Meishu-Sama comprou o terreno plantado de cedros onde hoje está situado o Santuário da Divina Luz. Certo dia, quando eu estava cortando uma árvore, ele disse: “Não se deve cortar árvores que já estão crescidas, a não ser que haja necessidade; elas são importantes e por isso não devem ser cortadas”. Então, parei com o serrote já na metade do corte. Apesar disso, essa árvore não secou, existe até hoje. Está no vale situado á esquerda do Santuário da Divina Luz. Certamente só eu sei de sua existência, ninguém mais. 

Repórter: O fato de Meishu-Sama querer preservá-la mesmo com o corte do serrote, demonstra o seu grande amor ás árvores. Ele considerava, sagrada uma vida que não se compra com dinheiro, não é? 

Katsumata: Seu amor era realmente grande. Ele só permitia que as árvores fossem cortadas se elas atrapalhasem uma construção ou se fosse absolutamente necessário. 

Repórter: Para finalizar, se tiverem lembrança de alguma palavra de Meishu-Sama, recebida quandoserviam ao seu lado e que ainda hoje permanece gravada em seus corações, transmitam-na para nós 

Katsumata: Aconteceu há dez anos. Estava relembrando Meishu-Sama, e de repente como se uma Luz ilumina-se meu coração, percebi que todos os seus ensinamentos estavam interligados. Concluí isso meditando umas palavras que havia deixado passar despercebidas quando recebi ordem para cortar uns galhos, há vinte anos. Ele dissera estas palavras: “O homem é como as árvores. Tem partes pontiagudas, enroladas e se não tomar cuidado para eliminá-las, não conseguirá um bom relacionamento com os seus semelhantes. É isso que estou ensinando”. 
Realmente, se agirmos dessa maneira, concretizar-se-á o Paraíso Terrestre, onde não há conflito de espécie alguma. 
Morimoto: hoje, objetivando o Centenário de Meishu-Sama, unida a igreja vem desenvolvendo a construção do Museu de Belas-Artes de Atami. Ao ver-me num beco-sem-saída, relembro as épocas passadas, e parece que ouço Meishu-Sama me incentivar: “Morimoto, esforce-se; não se esqueça do tempo passou”. 

Doravante, para construir o Paraíso Terrestre idealizado por Meishu-Sama, também quero continuar me esforçando na construção de belos jardins, que não encontram similares em nenhum outro lugar. 



Fonte: Álbum Solo Sagrado 
(A Terra Natal das nossas Almas) 
Volume: “Primavera e Verão”
(Tradução: Igreja Messiânica Mundial do Brasil)
Edição: Maio /1980

Págs.(84/ 97)
Fotos: Alexandre Mauj Imamura
Site: lostenjapan.potalnippon.com
(É proíbida a cópia ou publicação sem a permissão do autor)
(todos os direitos reservados)

Lanternas Japonesas Isshiki

"Lanternas de Isshiki"

Lanternas em japonês (Chiochin) - As Lanternas Japonesas são usadas para decoração interna e externa das residências, restaurantes, festas japonesas e lojas comerciais.







Fonte: Fotos: Alexandre Mauj Imamura
Site: lostenjapan.portalnippon.com
(Todos os direitos reservados)
(É proibida a cópia ou publicação sem permissão do autor)

O Médico e o Missionário


O MÉDICO E O MISSIONÁRIO/ HISTÓRIA DA DIFUSÃO MESSIÂNICA NO ESTADO DO MARANHÃO 

“Como tudo começou”

E tínhamos muitos problemas, buscando a solução desses problemas e conhecendo a Igreja Messiânica Mundial do Brasil. A purificação e cura de nossa filha. Nossa dedicação como membros. As valiosas orientações do Rev. Tetsuo Watanabe. Um encontro e um convite antecipando-nos o futuro. O auge da crise financeira. Dois presentes significativos. O adeus ao Rio de Janeiro. 

Corria o ano de 1965, eu, Laís Tinoco Guarçoni, casada com um médico e mãe de quatro filhos, viviam momentos de grandes dificuldades. Meu marido, formado em Medicina Clínica Geral na Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, no ano de 1946, começava a sofrer uma perda misteriosa de bens materiais, herança de seus pais italianos, que foram grandes fazendeiros em Minas Gerais. Através de negócios mal feitos e da ajuda profissional de pessoas mal intencionadas nas quais confiávamos, perdíamos nossos bens, tais como um grande sítio em Petrópolis, apartamento, etc. 

Além dos problemas financeiros tínhamos sérios problemas de saúde: meu marido sofria de fortes dores de cabeça e de estômago; eu era portadora de uma sinusite crônica agravada por problemas pulmonares e minha terceira filha sofria asma desde os nove meses de idade. Como médico, Elídio recorria a todos os recursos científicos existentes para curar-nos, mas Ângela, principalmente piorava. Nessa época, após especializar-se também em farmacologia, Elídio passou a fabricar pessoalmente alguns dos remédios que nossa filha tomava. Por outro lado, para vê-la curada, além dos tratamentos médicos, cheguei até a lançar mão de todas as “simpatias” e “xaropadas” ensinadas por leigos. Apesar dos nossos esforços, Ângela tinha acessos de asma quase que diariamente, febres altíssimas (ao ponto de delirar), fortes dores de ouvido e um problema de estômago que a levava a vomitar quase tudo que comia. 

Constantemente acometida de crise asmática. Ângela não conseguia dormir. Eu passava as noites em claro, carregando-a no colo ela, ofegantes, com os lábios roxos. Para facilitar minha vida, comprei uma cadeira de balanço assim, eu descansava enquanto Ângela dormia sentada em meu colo. Nessa época, com seis anos de idade, ela era uma criança frágil; chorava sem motivo aparente, não ia á escola quando chovia, não conseguia brincar normalmente, não podia sequer tomar banho sem cuidados especiais. Era uma menina que convivia com um cansaço um chiado característico no peito e um enjôo de estômago que remédio nenhum conseguia resolver. 

Elídio, já nesse tempo, manifestava sua desconfiança acerca de alguns tratamentos, considerando-os duvidosos na solução de certos problemas. E sempre comentava comigo: “Porque eu não consigo curar a mim mesmo e á minha família?” Mas, embora tivesse fortes dívidas quanto a alguns tratamentos indicados pela Medicina, meu marido acreditava que no futuro, haveria de ocorrer um avanço médico-científico que curaria todas as doenças humanas. Nessa época, também persistia em minha mente a lembrança da visão que eu tivera de meu pai, após sua morte, e dos sonhos estranhos que passei a ter com ele. Na visão que tive, após sete dias do seu falecimento, meu pai andava cambaleante, apoiando-se nas paredes do corredor do apartamento, que ficava em frente do quarto onde eu estava ninando minha filha. Essa visão desapareceu logo em seguida, após soar uma voz firme, chamando pelo seu nome como se quisesse despertá-lo. A partir desse dia, passei a sonhar com meu pai e, nesses sonhos, ele se apresentava com a fisionomia tristonha e abatida, como se estivesse muito doente. 

Eu sentia que através desses sonhos meu pai pedia a minha ajuda, pois estava sofrendo, mas eu não sabia como poderia ajudá-lo. Convivendo com tantos problemas, e criada dentro de uma orientação religiosa, tentei buscar em Deus as respostas e soluções para os meus problemas existenciais. Eu e meu marido, juntamente com os filhos, ingressamos na Igreja Batista, freqüentando-a durante dois anos. Ao longo desses anos, estudamos a Bíblia, mas minhas perguntas ficaram sem respostas. Um ano depois, ingressamos no Kardec ismo, onde novamente, não encontrei o que buscava. Devido ás tentativo frustradas, desisti de encontraras respostas que procurava, e calei no coração essa ânsia de conhecimentos. 

Sem encontrar um caminho que resolvesse meus problemas, sentia-me como se estivesse num túnel escuro, sem saída, e onde não havia uma Luz que me guiasse. Parecíamos estar mergulhados num turbilhão que nos tragava, sem nos dar uma chance de sairmos ilesos. Encontrava-me nesse estado d’alma quando , em novembro de 1965, encontrei por acaso, um afilhado de casamento. Fiquei muito contente, pois um mês antes eu estivera na casa de saúde Dr. Eiras para visitar sua esposa, que estava internada com sérios problemas psíquicos. Por ocasião dessa visita, não conseguira permissão médica para vê-la, pois ela estava num quarto isolado, devido á gravidade do seu estado. Perguntei então a meu afilhado como estava passando sua esposa e, para minha surpresa, ele disse que ela já estava em casa, completamente curada. Sabendo tratar-se de um caso muito delicado, indaguei o que havia acontecido para que, num breve espaço de tempo, ela tivesse ficado curada. Ele explicou que não fora na Casa de Saúde que ela havia se curado; fora numa Igreja de Japoneses situada na Rua Santa Luísa, no bairro do Maracanã, que tinha por responsável um Japonês Jovem chamado Professor Ricardo (naquela época o nome do Revmo. Watanabe era Ricardo) Explicou-me, ainda, que esse japonês transmitia uma energia chamada johrei através da palma das mãos. 

Cheia de curiosidade, sentindo renascer aquela velha esperança de ver Ângela curada e de resolver meus problemas, perguntei: “Mas essa igreja é boa mesmo? Isso realmente é verdade? “Fiz-lhe essas perguntas três vezes, ao que ele respondeu: “A senhora vai lá para ver, para conhecer. A senhora vai encontrar lá muitas pessoas nossas conhecidas, que já receberam muitas graças”. Era novembro de 1965, chegando á casa, nesse mesmo dia, comentei o assunto com meu marido, dizendo-lhe da minha vontade de levar Ângela para receber “o tal do johrei”. Elídio, muito desconfiado, disse: “Laís, você acredita nessas coisas? Toma cuidado, japonês tem olho pequeno, mas enxerga longe”. Como eu não queria fazer as coisas contra sua vontade, nem ás escondido, insistia com ele todos os dias para que concordasse comigo, pois eu queria experimentar. Ele dizia: “Já não chegam essas “xaropadas” e “simpatias” que você faz?” Até que finalmente no dia quatro de dezembro, meu marido concordou que eu levasse Ângela, para receber “o tal do johrei”, dizendo: “Quer saber de uma coisa? A filha também é sua, por isso, se quiser, pode levá-la. Vai lá experimentar”. No dia seguinte, cinco de dezembro de 1965, acompanhada de Ângela, eu chegava ás portas da Igreja Messiânica Mundial do Brasil. 

Na ocasião, a difusão começava no Rio de Janeiro, numa casa simples e pequena. Além do altar e das poucas cadeiras onde os membros se sentavam para ministrar johrei, não havia quase móveis. Recordo-me de que nesse dia fazia um calor intenso, pois era verão, e o relógio marcava meio-dia. A fila, na calçada dobrava a esquina do quarteirão e, devido á espera, que era longa, muitas pessoas alugavam caixotes numa mercearia ao lado da Casa de Johrei, para esperarem sentados. Entrei na fila com Ângela, que, passado algum tempo, começou a reclamar do calor e a se dizer cansada. Então, aluguei um caixote para ela se sentar. Aguardamos na fila durante horas, pois naquele tempo havia poucos membros. Enquanto esperava a nossa vez, ia conversando com as pessoas, querendo saber maiores detalhes sobre o johrei. Algumas diziam que estavam melhorando, outras já haviam alcançado grandes graças, e essas palavras me animavam ainda mais. 

Quando chegamos á casa ás 19 horas, Elídio perguntou-me: “Como foi lá? Como é esse Johrei?” Então, contei-lhe tudo com detalhes, e ele não me fez mais perguntas. Passei a freqüentar a casa de Johrei diariamente. Desde o primeiro johrei, Ângela não teve mais acessos de asma. As semanas foram passando ema continuava bem, e eu ia tomando conhecimento do que era o johrei e a Igreja Messiânica Mundial através de algumas aulas e conversas com o Prof. Ricardo que, apesar de não falar bem o português nos transmitia confiança. Eu sempre lhe fazia muitas perguntas, e suas respostas eram coerentes e vinham ao encontro de minhas próprias conclusões. Numa de minhas conversas com o Prof. Ricardo, narrei-lhe a visão e os sonhos estranhos que tinha com meu pai. Eu queria saber sua opinião a respeito. Ele orientou-me que fizesse cultos para meu pai, e principalmente, através da minha dedicação á Obra Divina, salvasse o maior número de pessoas possível. Comecei a colocar em prática sua orientação e os sonhos cessaram. 

Durante esse tempo insistia com meu marido para que ele também fosse receber johrei, pois tinha sérios problemas de saúde, e , talvez, conseguíssemos resolver nossos problemas financeiros. Mas ele sempre adiava essa visita á casa de Johrei. Creio que meu marido, na época, aguardava um resultado mais concreto da melhora de Ângela. Até que em fevereiro, percebendo que de fato havia ocorrido uma grande melhora, Elídio aceitou meu convite e fomos para a Igreja. Enquanto ele recebia johrei, fiquei observando-o e pedindo a Meishu-Sama: “Por favor, não deixe que ele sinta aquela dor de estômago, senão ele é bem capaz, de se levantar e não voltar mais aqui”. Em determinado momento, percebi que Elídio estava pálido e transpirava muito. Ainda pensei que ele ia acabar se levantando para tomar um comprimido. Mas ele permaneceu sentado até o final do johrei. Quando terminou, veio ao meu encontro, dizendo: “Quase que me levantei para tomar um comprimido, mas achei que seria uma indelicadeza da minha parte. 

Então, a dor passou “... A partir desse dia, Elídio passou a freqüentar a Casa de Johrei. Algumas vezes, como médico, acompanhou o Prof. Ricardo em visita a pessoas em purificação. Nessas ocasiões, os dois conversavam muito... Meu marido dava sua versão científica do caso e o tratamento indicado pela Medicina; o Prof. Ricardo explicava o que Meishu-Sama dizia e como, através do johrei e da purificação poderia se alcançar a cura para determinado problema. Assim meu marido teve muitas de suas dúvidas esclarecidas naquelas conversas informais. E foi através de sua melhora pessoal e familiar, como também do aprofundamento na filosofia de Meishu-Sama, que Elídio percebeu que aquele era o caminho que, como médico e homem, deveriam trilhar para alcançar seu objetivo maior: curar os homens. Em marco de 1966, em face da melhora de Ângela e movida por uma grande gratidão, resolvi tornar-me membro da igreja. Eu queria ajudar outras pessoas como estava sendo ajudada. 

Fui á presença do Prof. Ricardo e falei-lhe do meu desejo. Na ocasião, ele perguntou-me como Ângela estava passando. Eu respondi: ”Desde, o primeiro johrei, ela não teve mais acessos de asma”. Foi quando, para minha surpresa, o Prof. Ricardo disse que minha filha não estava curada; que ela ainda teria duas ou três crises, pois precisava eliminar as toxinas acumuladas durante todos aqueles anos. Apesar de suas palavras, não desisti de ingressar na igreja, pois já entendia parte dos Ensinamentos de Meishu-Sama e dentro de mim já existia, realmente, confiança no johrei. Na época, Elídio também manifestou o desejo de se tornar membro, mas o Prof. Ricardo achou melhor que eu fosse outorgada primeira e ele ficasse para o mês seguinte. No dia 23 de abril de 1966, recebi o Ohikari e passei a dedicar ativamente como membro. 

Dias depois, aproximadamente 28 de abril, como previsto Prof. Ricardo Ângela teve uma crise asmática sem precedentes no seu caso. Ficou quinze dias acamada, com febre altíssima, sentindo muita falta de ar, tossindo e vomitando muito catarro, sem comer nada, só bebendo água. Eu passava os dias e as noites ao seu lado ministrando-lhe johrei. Como ela não melhorava, fui á Casa de Johrei pedir assistência ao Prof. Ricardo. Após ouvir meu relato sobre a purificação de Ângela, ele desculpou-se dizendo que estava muito ocupado e não poderia ir a minha casa; que eu continuasse a ministrar-lhe johrei. Fiquei muito revoltada com essa atitude e até pensei em não voltar mais á igreja. Apesar disso continuei a ministrar johrei em minha filha, e nada comentei com meu marido. Os dias passavam e nada de Ângela melhorar. Preocupada, voltei á Casa de Johrei e, de propósito, fiquei na porta da nave com a intenção de que, ao sair do culto, o Prof. Ricardo esbarrasse em mim e tivesse que perguntar por Ângela. Assim aconteceu... Ao sair da nave, ele parou e perguntou como ela estava passando. Eu respondi: “Está muito mal”. E ele disse: “Continue ministrando johrei nela” Sai da Casa de Johrei mais revoltada ainda, pensando que no momento em que eu mais precisava, ele não me ajudava. Não obstante, continuei a ministrar johrei em Ângela e novamente, nada comentei com Elídio. Durante a purificação de nossa filha, muito preocupada, observava a conduta de meu marido, mas ele mantinha-se tranqüilo, sem sequer mencionar a possibilidade de medicá-la. Percebo agora que, na época ele observava discretamente o desenrolar daquele processo de purificação. Para Elídio, o desfecho desse processo era a prova de cura do johrei e da veracidade das afirmativas de Meishu-Sama. 

Quinze dias depois de iniciada a purificação, minha filha disse: “Mamãe eu ainda não fiquei boa porque tenho uma farinha no estômago que preciso vomitar. É uma coisa verde, parecida com um pirão”. Eu pensei: “Como ela pode ter alguma coisa no estômago se está vomitando há quinze dias e só bebe água?” Nesse mesmo dia, horas depois, Ângela me chamou, pois estava com vontade de vomitar. E vomitou uma pasta grossa como uma clara de ovo, verde-musgo, sem odor, bastante estranha que se alojou no fundo do urinol, tomando seu formato. Imediatamente, minha filha disse: “Era isso que eu tinha que vomitar. Agora eu já estou boa. Quero comer”. Tendo ela vomitado durante quinze dias, pensei em dar-lhe algo bem leve, como um mingau ou uma maçã ralada. Mas, quando lhe perguntei o que queria Ângela disse que estava com vontade de comer salsicha frita com arroz. Fiquei preocupada e cheguei a pensar: “Ela não morre mais da asma, mas vai morrer da salsicha”. Corri á Casa de Johrei para pedir orientação ao Prof. Ricardo. Após contar-lhe todos os detalhes da purificação, ele me disse que eu podia dar quantas latas de salsicha Ângela quisesse, pois agora ela estava curada e nada que comesse lhe faria mal. Explicou que aquela coisa estranha que ela havia vomitado, eram as toxinas acumuladas no estômago, os remédios que havia tomado por causa da asma. A química dos remédios era que azedava os alimentos, causando-lhe enjôo seguido de vômito. 

Após essas explicações, saí da Casa de Johrei e comprei duas latas de salsichas. Chegando á casa, dei a minha filha o conteúdo de uma lata acompanhado de arroz. Ela comeu tudo e pediu mais. Dei-lhe a segunda lata, que ela também comeu toda. Desde então, nunca mais teve acessos de asma, problemas de estômago, dores de ouvido, febre alta, etc. Tornou-se uma criança saudável. No dia seguinte ao término daquela purificação, fui á Casa de Johrei com espírito de euforia; eu tinha vencido uma barreira! Estava me sentindo vitoriosa! Em conversa com o Prof. Ricardo, relatei a ele minha alegria. Então, ele disse: ”Não fui a sua casa de propósito. Se eu fosse, a senhora ia achar que foi o meu johrei que resolveu o problema. Agora a senhora tem verdadeira convicção no seu johrei”. Ainda mais confiantes, continuamos a dedicar na igreja. Em maio de 1966, Elídio tornou-se membro. Conforme nossos problemas de saúde iam sendo resolvidos, a crise financeira se agravava. Nosso carro foi roubado e encontrado dias depois no Alto da Boa Vista, totalmente desmontado; só havia sua lataria. O valioso relógio de parede que tínhamos em casa caiu no chão espatifando-se por completo. 

O sofá pegou fogo, devido a uma vela acessa que minha filha caçula colocou embaixo dele. Os tapetes caros que tínhamos espalhados pela casa ficaram manchados. E, para completar esse quadro a televisão pegou fogo, ficando sem concerto. Meu marido, nessa época, possuía uma clínica de sociedade com outros colegas, e mais três consultórios, mas misteriosamente, não ganhava além do necessário para nossa sobrevivência. Ele dizia, referindo-se a isso: “Até parece que Deus está controlando a minha vida”. Em conversa com o Prof. Ricardo sobre esse assunto, ele nos orientou. “vocês querem se livrar de suas dívidas? Então façam donativos de gratidão”. Seguimos essa orientação. Recordo que colocávamos de donativo todo o dinheiro que tínhamos inclusive o das passagens de ônibus para voltarmos para casa. Muitas vezes voltamos a pé, após um dia inteiro de dedicação. Ás vezes na hora de dar o donativo, Elídio olhava para mim e perguntava, com a mão dentro do bolso: ”O que você acha? Dou tudo ou não?” E eu dizia: “O homem não mandou colocar tudo? Ele sabe mais do que nós”. 

Então, dávamos todo o dinheiro e íamos a pé para casa. Inúmeras vezes percorremos mais de cinco quilômetros, juntamente com os filhos. Em 15 de junho daquele ano, 1966, fomos a São Paulo assistir ao Culto do Paraíso Terrestre. Era a primeira caravana de membros do Rio de Janeiro á Sede Central! Naquela época, a Sede Central ainda era uma casa de dois andares, com um galpão coberto, ao lado. Após o culto, retornamos de ônibus ao Rio de Janeiro. Os dias se passavam, e nós dedicando intensamente. No dia 30 de julho, minha mãe, levando um tombo, fraturou o fêmur, sendo hospitalizada no Hospital dos Servidores do Estado. Devido sua idade e á gravidade da fratura, ela permaneceu internada durante 22 dias, inclusive necessitando ser operada para implante de uma platina no local da fratura. Enquanto aguardávamos a cirurgia, ministrei-lhe johrei. Finalmente, a cirurgia foi marcada com previsão médica de duas horas de duração. 

Bastante preocupada, eu via as horas passarem e nada de minha mãe voltar para o quarto. Mais tarde, a enfermeira explicou-me que a cirurgia havia demorado mais do que o previsto por que o fêmur já estava quase no lugar certo e que, por isso os médicos tiveram que diminuir a platina, que fora antecipadamente preparada de acordo com as radiografias. Durante os dias que passei no hospital com a minha mãe, procurei ministrar johrei em outras pessoas internadas. Fiz então amizade com uma senhora do quarto vizinho, que estava com uma filha hospitalizada. Certo dia, chegando ao hospital, essa senhora veio ao meu encontro dizendo que a filha tivera alta e que, por esse motivo, estava indo embora. Em agradecimento á minha ajuda e apoio, ela ofereceu-me sua casa, para que eu me hospedasse nela quando fosse de passeio a São Luís, no Maranhão. Na ocasião, pensei: ”Meu Deus, acho que nunca irei a esse lugar. O Maranhão é tão distante! Acho que nunca mais verei essa senhora...” Mas guardei o endereço. 

Nossa purificação financeira se agravou de tal maneira que Elídio perdeu tudo, inclusive sua parte na clínica. Estávamos num beco sem saída e, por isso, ele começou a pensar em sair do Rio de Janeiro para recomeçar sua vida profissional. Mas ir para onde? Em fevereiro de 1967, meu marido foi à clínica recolher objetos pessoais de sua sala. Olhando em torno, ele parou um momento, refletindo, perguntando o que faria de sua vida a partir do instante em que saísse dali. Então, abriu uma gaveta, tirando dela, entre outras coisas, um jornal médico chamado “Pulso”. De repente, seus olhos foram atraídos para uma pequena notícia na última página, a qual dizia: “Maranhão chama, precisando de médicos”. Bastante interessado, Elídio deixou a clínica com o Jornal debaixo do braço e foi, imediatamente, procurar os escritórios do Estado do Maranhão no Rio de Janeiro. Apresentando-se lá, na mesma hora foi contratado para organizar e dirigir um hospital que seria construído na cidade de Colinas, no interior do Maranhão. Recordo que naquela noite, após ele dar a notícia á família, fomos procurar localizar no mapa a cidade de Colinas. 

Meu Deus, como era distante aquela cidade! Ficava quase no finalzinho do mapa, gravada em letras minúsculas. Começamos os preparativos para a viagem. No dia 15 de março, Elídio embarcou com destino a São Luís, capital do Maranhão, para apresentar-se na Secretária de Saúde. Dois meses depois, em nove de junho, meu filho mais velho casou-se com Sônia Regina Exposto. Dias depois, Ângela e meus outros filhos tornaram-se membros da igreja. Enquanto aguardava o dia de minha viagem para Colinas, eu dedicava intensamente, inclusive nas atividades destinadas a angariar fundos para a construção da nova igreja, num terreno adquirido na Rua Itabaiana, n. 74 – no bairro do Grajaú. 

Durante esse período, recebi cartas quinzenalmente. Nessas cartas, meu marido falava-me de sua profunda tristeza por encontrar-se distante da família e da igreja, onde aprendia muito sobre a origem das doenças, o processo de purificação, etc. Ele aproveitava para desabafar sua falta de recursos técnicos para amenizar o sofrimento dos doentes que o procuravam no posto médico. Tinha vontade de oferecer johrei àquelas pessoas, mas acabara de chegar á cidade, portanto, não conhecia ainda o pensamento e os costumes do povo; não podia prever a reação daquelas pessoas ao johrei. Na véspera de nosso embarque para o Maranhão, fui á igreja com meus filhos para nos despedirmos do Prof. Ricardo e demais amigos messiânicos. Ao entrar na nave, percebi que havia dois embrulhos no Altar, mas não atinei para nada. Após o culto das 18 horas, retirando um dos embrulhos do Altar, o Prof. Ricardo disse que aquilo eram duas lembranças para a família. Ao abrir o primeiro embrulho, senti forte emoção, pois era o retrato de Meishu-Sama. Recordo que ele disse; “Este eu faço de presente. A outra lembrança é presente dos membros”. Era o retrato do Altar da nossa igreja da Rua Santa Luísa. No momento fiquei emocionada, mas não pensei que aqueles presentes eram o sinal de que tínhamos uma missão religiosa a cumprir no Maranhão. (continuação no Livro: “O Médico e o Missionário”). 


Autora: Ministra Laís Tinoco Guarçoni



Fonte: Livro/ “O Médico e o Missionário”
(História da Difusão Messiânica no Estado do Maranhão)
(Fundação Mokiti Okada – M.O.A – 2. Edição – Dezembro/1991 – São Paulo/SP.)

EXPERIÊNCIA DE FÉ COM A PRÁTICA DO SONEN


Experiência de Fé Prática do Sonen(BRASIL) 

“Comigo também funcionou!”

Com um histórico pessoal e familiar de problemas de coluna, Vivian Zorzenoni Angelotti Stamm, de Curitiba (PR), começou a se empenhar na “Prática do Sonen”. Durante algum tempo nenhum resultado surgiu, mas ela não desistiu. Finalmente, seu empenho foi recompensado com a recuperação da saúde e a salvação de seus antepassados. 

Apesar de praticar esportes, aos 15 anos eu já apresentava dores na coluna. Com o passar do tempo, e por não fazer mais nenhum tipo de atividade física, as dores começaram a aumentar. Procurei um ortopedista e, ao fazer exames de RX, o diagnóstico foi escoliose e hiperlordose acentuada do lado direito, e também artrose, inclusive com um grau elevado no pescoço. O médico achou que o RX do meu pescoço não fosse meu, por estar num nível que só pessoas idosas apresentavam. Assim, receitaram-me alguns remédios para que eu melhorasse daquela crise, alertando-me que eu teria de utilizá-los sempre, como já o tinham feito outros médicos, ao longo da minha vida. Segundo eles, só assim minhas crises diárias seriam amenizadas. Eu nunca gostei de tomar remédios. Sempre passei pelas minhas dores sem o uso dos mesmos. 

Há mais ou menos vinte e nove anos eu vinha sofrendo com esse problema. Nos últimos cinco anos, comecei a ficar realmente preocupada com o aumento das dores. Fazer coisas simples, como amarrar um tênis, colocar uma meia, ficar sentada ou de pé, virar-me na cama, tudo estava ficando cada vez mais difícil. Analisando esse traço peculiar em minha família, lembrei-me que, em 2006, reencontrei um primo, que veio nos visitar. Ele estava fazendo consultas mensais, aqui em Curitiba, pois sua coluna estava tão ruim que ele não conseguia trabalhar. Minha mãe o levou à Igreja, e ele recebeu Johrei. Logo percebi que ele estava sentindo a ação da Luz de Meishu-Sama. 

Saímos em seguida, para conversar a respeito de seu problema e mostrar-lhe as dependências da Igreja. A maior surpresa foi descobrir que seu pai, falecido há mais de 35 anos, faria aniversário de falecimento no dia seguinte. Fizemos o Culto naquele dia mesmo e ele recebeu mais um Johrei, sentindo uma dor muito forte nas costas. O pai dele faleceu com problemas pulmonares, aos 21 anos. Já na casa de minha mãe, ele disse que estava se sentindo diferente, chegou até a dançar. Quando voltou para Maringá, telefonou dizendo que não sentia mais dores e que já tinha capinado seu terreno. Procurei informações com meu pai e minha mãe, a respeito dos antepassados que sofriam com dores na coluna em nossa família. Eles disseram que isso era comum, pois todos trabalhavam em lavouras de café, mas meu pai se lembrava apenas que seu pai (meu avô) e sua mãe (minha avó) reclamavam mais. Esse meu avô, depois de aposentado, parou de pescar, pois sentia muitas dores lombares. Dentro desse meu tronco “paterno”, ainda hoje quatro tios e um tio-avô sofrem com dores na coluna. Meu pai e minha mãe também têm os mesmos problemas. Minha irmã mais velha, que mora nos Estados Unidos, tem hérnia de disco e meu irmão mais novo sofre de “desvio” na coluna. Comecei a fazer o encaminhamento de meus antepassados a partir de meus bisavós, pelo sobrenome de todos eles, diante do Altar, todas as vezes que ia à Igreja. 

No Culto do dia 15 de Junho de 2006, no Solo Sagrado de Guarapiranga, eu reafirmei com muito sentimento todos os encaminhamentos que fazia, e em especial dos antepassados que sofreram de alguma forma, com dores nas costas. Senti que o caso não seria tão simples, pois já havia feito o encaminhamento muitas vezes e nada havia mudado. Mas, mesmo pensando que para o meu caso não havia solução, continuei a fazer a “Prática do Sonen”. Quando chegamos do Solo Sagrado, fui para casa e me perguntaram se eu já ia me deitar, pois eu devia estar moída, com dor de cabeça, o que acontecia normalmente devido às dores na coluna, pois viajar para mim era um sacrifício. Para minha surpresa e de todos em casa, eu respondi que parecia que eu tinha ido à esquina, não estava nem um pouco cansada. Confesso que achei estranho, mas tinha certeza de que, no dia seguinte, as coisas iriam piorar. Fiquei muito feliz ao perceber que, durante as três semanas que se seguiram, eu não senti mais aquela dor, companheira de tantos anos. 

Apreensiva e por achar que era coisa da minha cabeça, não comentei nada com meu marido nem com ninguém. Comecei a me testar, sentando em má posição e carregando meu filho nos braços para a cama, coisa que há muito eu não tinha o prazer de fazer. Após todos esses excessos, confirmei a melhora. Eu sou minha própria experiência, porque agora posso dizer que comigo a “Prática do Sonen” também funcionou. Assim, consigo incentivar as pessoas com quem falo sobre o encaminhamento do sofrimento dos antepassados com muito mais segurança. Penso sobre o quanto somos abençoados, por estarmos vivendo nessa época em que nos foi apresentada essa prática, que nos dá condição de movimentar, em qualquer nível , nossos antepassados que ainda estão sofrendo, no mundo espiritual, para serem perdoados, purificados e salvos. Compreendi que nós não temos condições de avaliar a grandeza que é a “Prática do Sonen”. 

Quero agradecer a Deus e a Meishu-Sama pela condição em que me encontro hoje. No dia 15 de junho de 2007 completei um ano sem sentir aquelas terríveis dores. Compreendi que, através das minhas dores na coluna, meus antepassados se manifestavam para que eu os encaminhasse. Não me preocupo mais com qualquer dor que se apresente, pois sei que é temporário. Basta fazer o encaminhamento dos antepassados a Meishu-Sama com persistência, sinceridade e gratidão, que tudo volta ao normal. 

Obrigada 


Vivian Zorzenoni Angelotti Stamm
Jornal Messiânico
Maio/junho -2007
Igreja Messiânica Mundial do Brasil



EXPERIÊNCIA DE FÉ PRÁTICA DO SONEN(BRASIL)



Bom dia a todos! 


Meu nome é Caren Natália Souza da Silva, sou jornalista e dedico no Núcleo de Johrei Novo Hamburgo, na região Sul, Porto Alegre. Meu pai foi membro pioneiro da Igreja Messiânica e faleceu em junho de 2004. 

Nesse mesmo ano comecei a ter eczema no rosto que melhorava com medicamentos, mas voltava pouco tempo depois. Eu tinha a Medalha de Proteção Shoko desde os seis anos de idade, porém não freqüentava mais a Igreja. Com o falecimento de meu pai, despertou em mim o desejo de cultuá-lo e assim voltei a freqüentar e me tornei membro em 29 de janeiro de 2005, assumindo o Sorei-Saishi, Ofício Religioso de Assentamento e Sagração dos Ancestrais, de nossos antepassados. No início de 2006 fui convidada para participar do Programa de Formação Jovem 3.Através das aulas dos reverendos e ministros fui aprofundando minha convicção nos Ensinamentos de Meishu-Sama e consegui compreender melhor o Processo de Purificação. 

Passei a encará-lo como uma dádiva de Deus para recuperar a verdadeira saúde e adotei também hábitos alimentares mais saudáveis. Em dezembro de 2006 a purificação reapareceu, acordei com o rosto todo rachado, com muitas cascas e eliminando pus. Quando me olhava no espelho pensava: “quero meu rosto de volta”. 

Lembrando das orientações recebidas no Programa Jovem 3, tomei a decisão de superar a purificação somente recebendo JOHREI e fazendo a PRÁTICA DO SONEN. 

A coceira era quase insuportável, dormia no máximo 2 horas por noite e muitas vezes meu rosto minava um líquido viscoso que era uma mistura de pus e sangue. No auge do processo, não conseguia nem abrir os olhos de tanto pus que saía e toda semana usava vários pacotes de algodão para higiene. Também não conseguia me alimentar normalmente durante os quatro meses de purificação, devido à dificuldade de movimentar a boca. Esse problema de pele já ocorria na família de minha mãe há gerações. 

Cerca de 10 anos antes, minha mãe também teve a mesma purificação no corpo todo, porém mesmo sendo messiânica ela não conseguiu persistir no recebimento do Johrei até o fim e não conseguiu encerrar a sequência de sofrimentos que passavam de uma geração para outra. Meu avô materno tinha sérios problemas desse tipo e uma tia de minha mãe faleceu com a pele recoberta de feridas. Reconheci que esses antepassados estavam precisando de ajuda e que poderia ser útil encaminhando-os a Meishu-Sama para que fossem purificados e salvos. 

Fazia a PRÁTICA DO SONEN várias vezes por dia, sempre durante as crises de coceira. O alívio era imediato, a cada dia conseguia uma pequena conquista, contudo não ocorria uma melhora consistente. Senti que além de encaminhar os antepassados a Meishu-Sama, eu teria que mudar. 

Passei a olhar para dentro de mim e a analisar meus pontos negativos. Admiti que fosse uma pessoa orgulhosa e que não conseguia perdoar. Guardava ressentimentos de algumas pessoas, isso me fazia mal e comecei a me perguntar a quantos já havia magoado nesta vida. Abri o baú de recordações, mexi em todas as lembranças ruins e fui pedindo perdão a cada uma das pessoas de quem me lembrava. Recordei-me dos familiares com quem já havia me desentendido e fiz a PRÁTICA DO SONEN com o sentimento de pedir perdão a todos eles.Reconhecendo a afinidade com meu ex-marido, de quem guardava muita mágoa, pedi a Meishu-Sama forças para perdoá-lo do fundo do coração, pois há meses não nos conversávamos. 

Para minha surpresa, no dia seguinte ele veio até minha casa para ver minha filha e levar-lhe um presente. A partir daí passamos pouco a pouco a conversar amigavelmente. Continuei refletindo e pedi perdão também à minha mãe, por ter sido na adolescência uma filha muito rebelde, pois eu a contrariava muito e brigava com todos em casa, sempre querendo ter a razão. Pedi, ainda, perdão ao espírito do meu pai por esse meu comportamento e fiz a Prática do Sonen para ele. Foi muito emocionante! Desde então tive mais convicção de que estava no caminho certo!Ao longo de toda a purificação que passei, minha mãe cuidava de mim porque eu não conseguia fazer muitas coisas. No terceiro mês de purificação ela estava muito preocupada comigo e achava que eu não ia melhorar. 

No mesmo dia que ela falou isso, sonhou que meu pai estava junto a ela, ajudando a cuidar de mim e dizendo que não se preocupasse, pois a fase mais difícil da purificação já havia passado e dali em diante eu melhoraria cada vez mais. E foi o que aconteceu! A partir daí meu sentimento foi mudando, passei a sentir gratidão pelos antepassados e pela família Meu sono se normalizou, a coceira diminuiu, a pele foi secando e as rachaduras do rosto foram se fechando. 
Em poucos dias, as pessoas que estavam ao meu redor, principalmente os membros que me deram assistência, começaram a elogiar minha pele de tanto que melhorei. Voltei a cuidar de meus deveres de mãe, a trabalhar normalmente, a sair de casa com os amigos, a dedicar no Johrei Center, ou seja, voltei à minha vida normal. 
Coisa que pelo menos dois médicos disseram que só aconteceria depois de no mínimo um ano eu tive a permissão de conseguir em apenas quatro meses. Mesmo com a chegada do inverno e dos ventos que castigam muito a pele dos gaúchos, praticamente não tive nenhum ressecamento sequer e nem precisei de protetor solar. Através desta purificação ganhei força e discernimento para descobrir a verdadeira beleza da vida. Conquistei a paz de espírito que muitas vezes julguei ser impossível. Ganhei também a verdadeira saúde. Estou me esforçando ao máximo para despertar mais pessoas para a Obra Divina. 

Todo o mês pratica meu donativo de gratidão para agradecer a Deus e a Meishu-Sama por todas essas graças.Minha saúde agora está ótima e, durante 2008, relatei para todas as pessoas que encontrava a experiência que vivenciei.Isso tem dado força a muita gente, não só dentro da Igreja, mas também na vida social. 
Assim, seis pessoas de meu convívio social passaram a receber Johrei e num trabalho conjunto com os membros do núcleo de Johrei Novo Hamburgo, mais de dez pessoas despertaram para a Obra Divina e são membros ativos. Entre os jovens de nosso núcleo três deles já estão participando também do curso de formação Jovem 3. 

Com todos esses milagres reconheço Meishu-Sama como o Messias Salvador da Humanidade, pois através de Seus Ensinamentos meus antepassados foram salvos e hoje sou muito feliz! 


Muito Obrigada Meishu-Sama! 

Caren Natália Souza da Silva



Região: Sul
Área: Porto Alegre
Johrei Center: Menino Deus
Culto Mensal de Agradecimento
Solo Sagrado do Brasil / Guarapiranga
Fevereiro/2009




EXPERIÊNCIA DE FÉ COM A PRÁTICA DO SONEN


EXPERIÊNCIA DE FÉ PRÁTICA DO SONEN (JAPÃO) 

Bom dia a todos os senhores!

O que eu tenho a relatar hoje aos senhores é com relação à purificação do meu filho Thiago e toda família. Tudo começou com uma dor de cabeça! Meu filho Thiago, começou a reclamar de dor de cabeça. Nos primeiros dias não dei muita importância, fazia a Prática do Sonen, encaminhando os antepassados que estavam se manifestando através daquela dor. Ministrava johrei e a dor amenizava, mas não passava totalmente, então achei que talvez fosse alguma coisa com a vista, e conversando com o Ministro responsável, perguntei a ele se não seria bom levá-lo para fazer um exame de vista. E ele me disse para levá-lo para fazer o exame.

Fui ao mesmo dia, e ele fez o exame e não acusou nada. Então a dor não era dos olhos. Apesar de sentir fortes dores bem no fundo dos olhos. Era uma quinta-feira, e na sexta de manhã, recebi um telefonema de um serviço, que era para eu ir ao escritório e se eu aceitasse, já ficaria trabalhando. O Thiago foi para a escola, pois de manhã não estava sentindo muita dor, e eu fui ver o serviço e fiquei trabalhando. No sábado era folga da fábrica, então só retornaria ao trabalho na segunda-feira. Mas no domingo à noite, o Thiago não dormiu a noite toda e eu junto com ele, ministrando-lhe Johrei, pois estava sentindo muita dor de cabeça e nos olhos, e também, vontade de vomitar. Na manhã de segunda-feira, muito preocupada, me arrumei para ir trabalhar, mas o coração estava angustiado vendo meu filho daquele jeito, e eu queria ir para o trabalho, pois era meu segundo dia na fábrica. Mas olhava para meu filho e ficava em dúvida, se deveria ir ou não. Até que pedi ajuda: Meu Deus e Meishu-Sama, por favor, me orientem o que faço. E decidi ligar para o tantousha e comunicar o que estava acontecendo, e que não iria trabalhar e pedi desculpa.

Peguei o Thiago e o levei a uma clínica perto de casa, devido a fortes dores que estava sentindo e a pressão que estava um pouco alta para sua idade, o médico achou melhor fazer uma radiografia da cabeça para saber o motivo de tanta dor. Ficamos esperando o resultado, e ele estava sentindo muita dor. Quando a radiografia ficou pronta o médico foi analisar. E quando voltou, não estava com uma aparência muito boa, demonstrando muita preocupação. Chamou-nos e disse que seria melhor procurarmos um hospital para ver com mais detalhes o que estava acontecendo. Da clínica mesmo, marcaram horário no Iwata Byoin e nos deu a radiografia que havia feito ali. Lá fomos acompanhados com o Ministro responsável.

Foram os piores momentos, pois o Thiago sentia muita dor, passamos pelo médico e começou a fazer vários exames necessários, e foi também pedido para fazer uma ressonância magnética. Ficamos esperando os exames ficarem prontos e logo fomos chamados pelo médico para nos passar os resultados dos exames. Senti o chão se abrir e o céu, cair em nossas cabeças, e dessa vez com certeza o médico nos mostrou a radiografia que havia tirado na clínica e a ressonância que havia feito ali. Tudo confirmado, que meu filho estava mesmo com um tumor bem no centro de sua cabeça e que esse tumor estava tampando a passagem de uma água que temos no corpo, e essa água estava em volta do cérebro, e pressionava o cérebro a qual causava tanta dor.

Ainda não dava para saber que tipo de tumor, se seria benigno ou maligno. E não poderia nos dar uma amostra para fazer uma biopsia. Devido ele ver o Thiago passando por muitas dores, ele queria que fizéssemos a internação dele logo, para começar os procedimentos para a cirurgia, e que iria solicitar um médico neuro- cirurgião de Nagoya, pois no Iwata Byoin não teria cirurgião nessa área.
A primeira impressão, não gostamos muito do médico, pois ele conversava com a gente, mas não olhava no rosto, sempre de cabeça baixa, aí resolvemos pedir tempo para pensar no que fazer. Realmente ele nos deu e já deixou marcado o dia para voltarmos e nos disse que resolvêssemos o mais rápido possível, pois o caso era muito grave. Com o coração muito apertado, completamente sem chão. Sabíamos que tínhamos que tomar uma decisão, mas qual? Via-o sofrendo com tanta dor, mas não podia passar para ele, toda aquela angústia e sofrimento que eu, seu pai e todos os familiares estávamos passando em vê-lo assim.

Conversando com o Ministro, ele nos orientou para a ministração de Johrei intensivo, 24 horas se possível. Troca de Johrei e fazermos oração na igreja e em nosso lar. E assim, muitos membros foram até em casa, em uma imensa corrente de amor, dedicação e solidariedade começou. Foram alguns dias com muito Johrei, dos Ministros e membros, muita oração de entrega a Deus, Prática do Sonen, Donativos de Gratidão. Agradeço ao Supremo Deus e ao Messias Meishu-Sama, a todos os Ministros e aos membros, as orações de entrega a Deus que fizeram e continuam fazendo em nome do Thiago.

Graças à dedicação incansável de tantas pessoas, ele começou a melhorar, as dores foram passando, chegando a ter momentos em que parecia que não tinha mais nada. Assim conseguimos esperar o momento certo. Foram muitos dias de dúvidas e incertezas, só tínhamos certeza de que Deus e Meishu-Sama estavam no comando de tudo, e que através dessa purificação, muitos antepassados foram salvos, e muitos membros tiveram a permissão de dedicar. Pedimos a Deus e ao Messias Meishu-Sama, que se ele tivesse realmente que fazer a cirurgia, que ele estivesse junto conosco, a permissão de participar do Culto aos Antepassados que foi realizada no dia 26 de setembro de 2010. E assim chegou o dia em que deveríamos voltar ao médico para marcarmos a cirurgia.
O Ministro foi comigo, e conversando achamos melhor pedir uma segunda opinião, para ver se as duas seriam iguais e o médico nos deu essa permissão e junto com um cd de dados dos exames e ressonâncias que foram realizadas. E agora? Aonde procurar a segunda opinião, em que hospital deveria ir?Foi assim que resolvemos ir ao Idai Daigaku Byoin, apesar de ser longe de casa, fica perto de um Johrei Center. E com certeza um local com muita Luz. Procuramos o médico responsável pela área da neurocirurgia, e mais uma vez foram feitos todos os exames. E dessa vez, não restavam mais dúvidas, pois as opiniões eram iguais e realmente tinha aquele tumor no cérebro.

Foi muito difícil pela segunda vez ter a certeza do que estava acontecendo, pensei em voltar para o Brasil com ele, pedi orientação e ajuda as minhas irmãs no Brasil, e através da ajuda delas, alguns médicos amigos da família nos orientaram que devido a gravidade da situação, seria muito arriscado fazer uma viagem para o Brasil. Assim, resolvemos então a marcar a cirurgia para o dia 29 de setembro de 2010.A internação tinha de ser feita com dois dias de antecedência, para os procedimentos pré-cirúrgicos, e assim foi feito.
Tivemos a permissão de participar do Culto aos Antepassados no dia 26 de 2010. E ainda com muitas incertezas, se estávamos ou não fazendo o certo. Mas entregando a Deus e ao Messias Meishu-Sama, para que nos déssemos uma resposta. Na noite de domingo para segunda-feira na qual, estava marcada a internação, eu tive um sonho ou não era bem um sonho. Só uma voz que me dizia: “Vá, não tem porque esperar mais!” 

Ao acordar, disse ao meu marido o que tinha sonhado. Então ele me respondeu para irmos, pois esta, era a resposta que estávamos esperando. Levantamos já com as malas da internação prontas e fomos. Foram dois dias de preparação, a cirurgia seria no dia 29 às 9 horas, mas às 8 horas já foi levado para os preparativos necessários. Antes de ir, ele estava um pouco apreensivo e preocupado, pois nunca havia feito uma cirurgia antes. Eu tentei acalmá-lo dizendo para não se preocupar, pois irá dar tudo certo. Pois Deus e o Messias Meishu-Sama estão no comando de tudo. Enquanto meu coração estava tão apertado e angustiado. No início o médico disse que não adiantaria ficar muita gente por ali, porque quando retornasse da cirurgia estaria com muito sono, devido ao efeito da anestesia.

Foram os piores momentos da minha vida, eu tentava me acalmar, dizendo para mim mesma: não se preocupe Deus e o Messias Meishu-Sama estão no comando de tudo. Mas ao mesmo tempo sentia muita angústia e preocupação. Quando ele retornou, já passava de meio-dia, e tivemos uma grande surpresa. Ele voltou falando com todas as pessoas e até brincando, foi realmente uma grande alegria vê-lo bem após uma cirurgia tão delicada. E mais uma vez, tivemos a certeza de que Deus e o Messias Meishu-Sama estão no comando de tudo. E recebeu bastante Johrei de todos que estavam presentes. A noite também não foi fácil, pois, passando completamente a anestesia no local da cirurgia, e no corpo, e também não podia se mexer e nem se virar na cama. Tinha que ficar em uma posição só. Não dormi a noite inteira, ministrando muito Johrei, e não conseguia mais ficar com o braço levantado. Muito Johrei, Práticas do Sonen, e agradecendo por ter corrido tudo bem.
No dia seguinte ele foi para o quarto, e então continuou a receber Johrei, muitas orações e a cada dia que passava via-se a melhora em seu rosto. Já não sentia mais dores de cabeça e nos olhos. É realmente uma grande graça! Após ficar bem da cirurgia, começou as três sessões de quimioterapia, uma vez por mês, durante três dias. Após o quinto dia, se estivesse tudo bem, receberia alta. 
No segundo mês, também começou a receber sessões de radioterapia, no qual foram divididas em 12 vezes, uma vez por dia, durante 15 minutos. Antes de começar a receber esses tratamentos, nós fomos alertados pelos médicos dos riscos e problemas que poderia ocorrer. Mas, como sempre afirmávamos não se preocupe, pois Deus e o Messias Meishu-Sama estão no comando de tudo. E não poderia ser diferente, ele não teve nenhum dos sintomas no qual fomos alertados. A não ser os níveis de glóbulos brancos e as plaquetas baixarem, ele não teve nenhum outro problema, e só ficava sabendo disso através do exame de sangue, pois ele não sentia nada.

Quando foi internado para terceira sessão de quimioterapia, um dia ele me disse: “Mãe! Já está acabando, faz 4 meses que tudo começou e parecia que seria interminável essas idas e vindas de casa para o hospital. Mas já está acabando, né mãe?”Foi muito difícil controlar a emoção daquelas poucas palavras. Essa semana dia 4, ele fez uma nova ressonância completa. E dia 7, sexta-feira, nós fomos ver o resultado, e para nossa imensa alegria, nos mostrou que já não existe mais nada dos dois tumores. Uma imensa graça recebida de Deus e do Messias Meishu-Sama.

Obrigada meu Deus! Obrigada Messias Meishu-Sama! Obrigada aos Ministros que tanto nos orientaram, e a todas as pessoas que dedicaram em nosso lar, no hospital, e orando todos os dias pela nossa felicidade.

Muito, muito obrigada! 


Pedrina das Graças Shibata
Área hombu – Totomi 
Johrei Center Eikoh Hamamatsu/Japão
9/01/ 2011.




EXPERIÊNCIA DE FÉ PRÁTICA DO SONEN (BRASIL)



Precisamos determinar e criar Sonen, Sempre !

Em março de 2011, fui convidado para participar do processo de seleção do Programa de Formação Jovem três. Como estava trabalhando em uma empresa por contrato de estágio, minha escala de trabalho era de segunda a sexta-feira; portanto, não haveria problema com relação ao fim de semana, período em que é realizado o curso. Nessa mesma ocasião, o ministro responsável de minha unidade me colocou como responsável das experiências de fé do Johrei Center e me deu um desafio: merecer 10 experiências naquele mês. Confesso que fiquei preocupado, pois nunca me propuseram uma meta, mas aceitei a tarefa e comecei a me empenhar. 

Ao mesmo tempo, participei das duas provas do Jovem 3 e fui aprovado. Uma última entrevista foi agendada. Para minha surpresa, meu contrato de estagiário foi efetivado. Minha escala consistiria em seis dias de trabalho, diretos, das 15 às 23 horas, e dois de folga. Em outras palavras, trabalharia dias seguidos com folgas alternadas. Com essa mudança, além de ter de parar minha faculdade no período noturno, também não poderia cursar o Johvem 3, pois raramente teria os fins de semana. Conversei com meu superior na empresa, que disse que nada poderia fazer. Falei com os colegas, solicitando se um deles poderia trocar de horário comigo, mas ninguém podia. Vi-me em uma situação sem saída, pois precisava trabalhar. Fui buscar orientação com o ministro, que me pediu para manter a tranquilidade, pois se as coisas estavam tomando esse rumo, era da vontade de Deus e que eu deveria segui-la. Acalmei-me e continuei trabalhando da mesma forma, mesmo triste por precisar interromper meus estudos na faculdade e não poder participar do Johvem 3. Passados alguns dias, lembrei-me da orientação de um ministro: precisamos determinar e criar sonen, sempre! Ao chegar ao Johrei Center, fui ao Altar e fiz a seguinte oração: “Meishu-Sama, talvez não seja o momento de eu entrar no Programa de Formação Johvem 3, mas quero apenas dizer ao senhor que eu desejo muito participar desse aprimoramento”. E continuei minha dedicação normalmente. Dias depois, em 18 de fevereiro, recebi uma ligação de uma empresa de recrutamento e seleção; meu currículo fora selecionado para a área que eu cursava na faculdade. A entrevista foi agendada para três dias depois. Eu sabia que aquilo era atuação do mundo espiritual, pois eu nunca havia deixado nenhum currículo na empresa de recrutamento. 

Na primeira entrevista, eu estava muito tranquilo. Saí da entrevista às 11 horas e, por volta das 13h30, recebi a ligação da empresa, já me convocando para a segunda entrevista para as 9 horas do dia seguinte . Esta foi feita com o dono da empresa e durou aproximadamente 10 minutos. A conversa fluiu calmamente. Por volta de 12h30, recebi a ligação da responsável pelo RH da empresa, informando que eu fora aprovado e que na segunda feira, dia 23 de fevereiro, já deveria levar toda a documentação para efetivação. Desliguei-me da antiga empresa no mesmo dia. Assim, para completar minha alegria, fui aprovado no Johvem 3, não precisei parar minha faculdade e consegui coletar 10 experiências de fé no Johrei Center graças às muitas pessoas que passaram a me procurar para relatar suas experiências.Estou adorando a empresa e a função que exerço. Com todas estas graças recebidas, aprendi que, quando queremos algo, temos que mostrar esse nosso desejo a Meishu-Sama. Devemos também fazer a nossa parte, dedicando e nos esforçando na Obra Divina. Assim, se nosso desejo estiver de acordo com a vontade de Deus, infalivelmente ele se concretizará. 

Agradeço a Deus, ao Messias Meishu-Sama e a todos os meus Atepassados o presente que recebi. 



Johrei Center : Embaré – Santos /SP.
 Anderson Souza de Araújo / 12/02/2011